Apesar da forte presença publicitária das casas de apostas online durante as transmissões da Copa do Mundo, o Brasil registrou uma disparada na busca pela autoexclusão de bets. O movimento de bloqueio de cadastro por parte dos apostadores cresceu expressivamente no país ao longo das primeiras semanas do torneio.
O governo federal lançou a ferramenta em dezembro passado. O sistema permite que o cidadão cadastre seu CPF e bloqueie, de forma simultânea, o acesso a todos os sites de apostas legalizados no país. A medida, então, visa conter o avanço do vício e proteger os dados dos usuários.
Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, a média diária de solicitações para bloqueio do CPF aumentou quase sete vezes nas duas primeiras semanas da competição. O volume diário saltou de 2,5 mil em maio para mais de 17,8 mil entre 15 e 28 de junho.
Mudança de perfil e canais de apoio do SUS
Após o processamento dos dados, as plataformas autorizadas ficam totalmente impedidas de aceitar apostas registradas sob aqueles CPFs. Desde a criação do sistema centralizado, mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a inclusão no cadastro nacional.
O levantamento do órgão federal também apontou uma mudança relevante nas motivações dos usuários. Enquanto em maio a perda de controle sobre o jogo liderava com 43%, durante o mundial a prevenção contra o uso indevido de dados pessoais virou o principal motivo (29,5%).
Ao solicitar o bloqueio na plataforma oficial, o cidadão pode determinar, portanto, a duração da suspensão das apostas. O prazo de afastamento pode ser configurado, assim, por um período fixo de um a 12 meses ou mantido por tempo indeterminado.
Como medida complementar de proteção à saúde pública, o governo também disponibiliza teleatendimento gratuito via Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço oferece suporte técnico e acolhimento especializado para pessoas com compulsão por jogos.
