Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23/7) a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, desta vez com base em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana. O governo norte-americano alega que o Brasil falha no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas e, por isso, passará a sobretaxar produtos do país.
A medida se soma à tarifa adicional de 25% que entrou em vigor na última terça-feira (22), aplicada em outra investigação aberta especificamente contra o Brasil. Com isso, produtos atingidos pelas duas medidas poderão enfrentar uma carga tarifária ainda maior para entrar no mercado norte-americano.
O Brasil integra um grupo de 59 economias afetadas pela decisão. As tarifas variam entre 10% e 12,5%, conforme as conclusões da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Governo americano cita produtos ligados a trabalho forçado
Segundo o governo dos Estados Unidos, a nova tarifa foi adotada sob o argumento de que o Brasil importa produtos de países que não adotam padrões adequados de combate ao trabalho forçado. Na avaliação americana, isso reduziria os custos de produção e criaria uma concorrência considerada desleal para empresas dos Estados Unidos.
A investigação aponta que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos que teriam sido produzidos com trabalho forçado. Entre os itens citados estão alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
Além do Brasil, outros países também foram alvo da medida. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão, por exemplo, receberam sobretaxa de 10%.
Nova medida amplia pressão comercial sobre o Brasil
A nova sobretaxa amplia a pressão comercial dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na última semana, o governo norte-americano já havia imposto uma tarifa adicional de 25% após outra investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
Com a nova decisão, o Brasil passa a enfrentar duas medidas distintas adotadas pelo governo americano, cada uma baseada em fundamentos diferentes dentro da legislação comercial dos Estados Unidos.