A indefinição de Cleitinho Azevedo continua embaralhando o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais. Mas, em Brasília, o Partido Liberal resolveu pelo menos uma parte do seu próprio problema, definiu quem será o seu principal nome na composição da chapa majoritária mineira.
É Flávio Roscoe.
A informação que obtive de um integrante da Executiva Nacional do PL é que a direção nacional estabeleceu uma regra bastante clara para as negociações em Minas. Qualquer composição que envolva o partido deverá preservar Flávio Roscoe como seu principal nome na chapa.
Não se trata apenas de uma preferência da direção mineira. Segundo a fonte que ouvi, a orientação vem da Executiva Nacional e conta com o respaldo político do senador Rogério Marinho, uma das principais lideranças nacionais do partido.
A hierarquia definida em Brasília também estabelece uma exceção clara. Cleitinho ser candidato ao governo. Se o senador do Republicanos assumir a cabeça da chapa, abre-se outro desenho de composição. Nesse cenário, o PL negocia a partir da liderança de Cleitinho. Mas, se ele não disputar o Palácio Tiradentes, ainda que Republicanos e PL caminhem juntos, a posição definida pela Executiva Nacional é que Roscoe seja o nome do partido para liderar a disputa pelo governo.
Essa definição ajuda a organizar um quadro que, publicamente, ainda parecia bastante desordenado em Minas.
Roscoe nunca saiu do jogo
Flávio Roscoe filiou-se ao PL em 31 de março e deixou o comando da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais no início de abril justamente para permanecer legalmente disponível para as eleições. Desde então, seu nome circula entre diferentes possibilidades de composição.
A filiação, realizada com a presença de lideranças nacionais do partido, não foi um movimento protocolar. Roscoe já era tratado pela cúpula do PL como uma das alternativas para o governo mineiro. Agora, a informação que vem de Brasília é que ele deixou de ser simplesmente uma das alternativas.
Passou a ser a referência definida por Brasília para a cabeça da chapa caso Cleitinho não ocupe esse espaço.
E essa diferença é enorme.
Tudo passa pelo sábado
Apesar da decisão tomada em Brasília, o próximo movimento relevante está nas mãos do Republicanos.
A expectativa é que a convenção partidária deste sábado, dia 25, ajude a definir finalmente o caminho de Cleitinho Azevedo e, consequentemente, a forma como essa diretriz nacional do PL será aplicada em Minas.
O senador passou meses administrando a dúvida sobre disputar ou não o governo. Politicamente, essa indefinição lhe deu centralidade, praticamente todas as articulações do campo da direita e da centro-direita precisaram considerar o que Cleitinho faria antes de avançar.
O problema é que o calendário eleitoral tem prazo de validade.
Chega uma hora em que administrar a dúvida deixa de ser estratégia e começa a produzir custo para os aliados.
O Republicanos já sinalizou que comunicará ao PL sua decisão sobre Cleitinho na noite de sexta-feira, véspera da convenção. É a partir daí que a regra definida em Brasília poderá ser aplicada na prática e várias peças finalmente encontrarão lugar no tabuleiro.
E Medioli?
É justamente nesse novo desenho, organizado a partir da decisão da Executiva Nacional, que aparece outro personagem importante: Vittorio Medioli.
O ex-prefeito de Betim vinha trabalhando publicamente sua pré-candidatura ao governo pelo próprio PL. Apresentou-se como alternativa, colocou experiência administrativa na mesa e começou a construir discurso de candidato.
Mas a avaliação feita a mim por um integrante da Executiva Nacional do partido é bem diferente.
Nas palavras dessa fonte, Medioli “queimou a largada”. A frase é curta, mas politicamente bastante reveladora.
Significa que a movimentação de Medioli não teria correspondido à hierarquia de decisão estabelecida em Brasília. Ele se apresentou para uma corrida cuja autorização para a largada, na avaliação dessa liderança, ainda não havia sido dada.
E, dentro desse desenho nacional, a preferência foi entregue a Roscoe.
Isso não significa necessariamente retirar Medioli do jogo político. Significa algo mais específico e importante: na engenharia da chapa majoritária definida pela Executiva Nacional, Roscoe está à frente.
O PL tenta colocar ordem na casa
A movimentação também ajuda a compreender por que o PL mineiro passou as últimas semanas transmitindo sinais aparentemente contraditórios.
Havia Roscoe. Havia Medioli. Havia a espera por Cleitinho. Havia conversas sobre composição. E havia ainda a necessidade de acomodar as disputas pelo Senado.
Parecia existir mais candidato do que vaga.
A decisão nacional, no entanto, estabelece uma hierarquia clara para Minas. Primeiro, saber se Cleitinho será candidato ao governo.
Se for, negocia-se uma composição em torno dele, com o PL se ajustando a essa liderança.
Se não for e Republicanos e PL permanecerem juntos, Roscoe assume protagonismo na chapa, conforme definido por Brasília.
E, se a composição com o Republicanos não prosperar, Roscoe permanece como o nome escolhido pela direção nacional para representar o PL na disputa pelo governo.
É uma mudança importante porque tira Flávio Roscoe da condição de peça disponível para várias posições e o coloca no centro do projeto eleitoral do partido em Minas, por decisão da cúpula nacional.
Depois de oito anos comandando a FIEMG, Roscoe entra na política partidária carregando exatamente o ativo que o PL parece procurar: discurso empresarial, experiência institucional e possibilidade de construir uma candidatura identificada com a direita sem depender exclusivamente da política tradicional.
Antes dela, porém, existe uma pergunta que precisa ser respondida pelo Republicanos.
E a resposta deve começar a aparecer neste sábado.
Cleitinho passou meses segurando as cartas. Brasília, pelo visto, cansou de esperar para organizar as suas.
E já escolheu uma delas: Flávio Roscoe.
