A nova tarifa adicional de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos fará com que 3.985 produtos brasileiros enfrentem uma tributação pesada de 37,5% para entrar no mercado americano. Os dados constam em um levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No total, as novas barreiras comerciais vão alcançar cerca de US$ 12,4 bilhões em mercadorias nacionais. O montante equivale a quase 30% de todas as vendas do Brasil para os Estados Unidos. A entrada em vigor das novas alíquotas está marcada já para esta sexta-feira (24).
Somando todas as taxas vigentes, a entidade estima que quase metade de todas as exportações brasileiras enviadas aos americanos passarão a pagar algum tipo de sobretaxa. Ao todo, as novas medidas restritivas vão afetar 4.060 itens do país.
Alegações de trabalho forçado e reação do setor produtivo
A punição decorre de uma investigação do governo americano com base na Lei de Comércio local. A análise concluiu que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a entrada de bens produzidos com trabalho forçado, avaliação rebatida pela indústria nacional.
Em defesa do setor produtivo, a CNI afirma que a justificativa não condiz com a realidade brasileira. A entidade destaca que o país possui um dos arcabouços jurídicos e de fiscalização mais modernos do mundo no combate e na erradicação do trabalho análogo à escravidão.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação imediata das negociações diplomáticas entre os dois países. “É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado para amenizar o impacto sobre as empresas”, ressaltou o dirigente.
A confederação informou que já articula medidas de apoio emergencial em conjunto com o governo federal e os setores mais prejudicados. As autoridades americanas incluíram o Brasil em uma lista de 60 parceiros comerciais investigados.
