A Associação dos Moradores da Savassi (Amosavassi) lança nesta quarta-feira (29/7) o Pacto pela Savassi, movimento que reúne representantes do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil para discutir medidas voltadas à população em situação de rua e à requalificação urbana da região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Entre as principais propostas está a criação de um Centro da Esperança, espaço que pretende oferecer alimentação, banheiros e acolhimento para pessoas em situação de rua. A iniciativa também prevê uma campanha para incentivar que doações de alimentos deixem de ser feitas diretamente nas ruas e passem a ser destinadas ao novo centro, por meio de um sistema de “troco solidário”.
Segundo o presidente da Amosavassi, Helênio Soares Júnior, o objetivo é organizar a assistência prestada à população vulnerável e, ao mesmo tempo, melhorar a convivência nos espaços públicos.
“O que queremos é humanizar essa solidariedade. Em vez da distribuição de alimentos nas ruas, queremos criar um local onde essas pessoas possam tomar café da manhã, almoçar e jantar com dignidade, além de terem acesso a banheiros e atendimento”, afirmou, em entrevista à 98 News.
A proposta faz parte de um conjunto de três programas que integram o pacto.
O primeiro é justamente o Centro da Esperança, considerado pela entidade como a porta de entrada para o acolhimento da população em situação de rua.
O segundo programa, chamado Caminho da Esperança, prevê ações de médio e longo prazo para promover a saída das ruas. A iniciativa deverá contar com a participação de especialistas, representantes do poder público, do Ministério Público e de entidades que atuam com essa população para discutir alternativas como moradia temporária e recuperação social.
Já o terceiro eixo, denominado Coração da Savassi, tem como foco a revitalização dos espaços públicos da região. A proposta inclui projetos de limpeza, organização urbana e melhorias na infraestrutura, que poderão ser financiados com recursos de contrapartidas de novos empreendimentos imobiliários.
Implementação depende de recursos
De acordo com Helênio, a primeira etapa do projeto é considerada a mais viável por exigir menos investimentos. A expectativa é que uma instituição beneficente reconhecida seja responsável por administrar os recursos arrecadados por meio do “troco solidário”, garantindo transparência na gestão.
Caso o financiamento seja viabilizado, a expectativa da associação é colocar o Centro da Esperança em funcionamento entre seis e 12 meses. A ideia é contratar refeições prontas para distribuição no local, evitando a necessidade de cozinhas e reduzindo custos operacionais.
Os demais programas, voltados à reinserção social e à requalificação urbana, dependerão de uma articulação maior entre poder público, especialistas e iniciativa privada.
Debate reúne autoridades
O lançamento do Pacto pela Savassi acontece às 19h, no Colégio Santo Antônio, e deve reunir cerca de 250 convidados, entre autoridades municipais e estaduais, representantes do Ministério Público, do Judiciário, empresários, comerciantes e lideranças comunitárias.
Durante o evento será realizado o painel “População em situação de rua: caminhos para a dignidade humana, a recuperação social e a requalificação dos espaços públicos”, além da apresentação do documento oficial do pacto, que reúne diretrizes e propostas para a região.
