Em 2025, Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condições climáticas extremas, com 16 mortes, 111 pessoas feridas e 9.486 desabrigados ou desalojados. Entretanto, mesmo com o número elevado, um estudo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais mostra que menos de 1,1% do orçamento estadual tem como destino ações preventivas.
Além disso, um número ainda mais alarmante diz respeito ao que é gasto com o pós-tragedia. Segundo o estudo, o governo e seus municípios empenharam, entre 2012 e 2025, cerca de R$ 462 milhões em prevenção a desastres climáticos e quase o dobro, R$ 823 milhões, em reparação.
Para se ter ideia do prejuízo no fim das contas, só entre 2020 e 2023, os desastres provocados pelas chuvas causaram mais de R$ 4 bilhões em em déficit a Minas Gerais. Apesar disso, a pesquisadora Michelle Simões Reboita, professora no curso de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), destaca que o debate em torno de prevenções ainda é raso.
“A gente precisa qualificar o debate. A ciência já fez o diagnóstico e apontou o que precisamos fazer. O que falta agora é vontade política”, ressalta.
Um estudo da International Finance Corporation aponta que, no Brasil, cada dólar investido em infraestrutura pode gerar até $8 dólares em economia. Para o arquiteto, urbanista e colunista da 98 News, Sérgio Myssior, os benefícios da prevenção vão além da redução dos custos.
“É muito mais rentável, estratégico e até mesmo em relação à redução e aos riscos em relação às perdas de vida, que as ações no campo da adaptação das cidades, territórios e comunidades, as mudanças climáticas, a capacidade de lidar com esses eventos extremos, tendo o menor número de perdas, impactos e reestabelecendo de forma mais rápida e menos impactante a normalidade após esses eventos extremos. Existem também outros relatórios que indicam que pelo menos cada dólar investido em adaptação às mudanças climáticas evita até 4 dólares em perdas econômicas”, afirma o colunista.
Desastres em 2026
Neste ano, eventos extremos voltaram a atingir o Estado. Juiz de Fora, na zona da mata, foi atingida por uma forte chuva em fevereiro. No total, 66 pessoas morreram e 8.500 ficaram desabrigadas e desalojadas. De acordo com a Defesa Civil, mais 8.500 ocorrências foram contabilizadas.
A Prefeita, Margaria Salomão, destaca que seria difícil prever o que aconteceu, mas criticou a atuação do Governo do estado. Segundo ela, com exceção da ajuda humanitária no pós-desastre, os esforços destinados são praticamente nulos.
“E com relação a esse recurso de contenção de encostas, recursos para macrodrenagem, para evitar futuras inundações, futuros alagamentos, isso, eu posso dizer a você, ajuda é igual a zero. O município está sendo ajudado, recentemente nós conseguimos um PAC de reconstrução de fora no valor de 300 milhões de reais, e fora o resto de dinheiro que já estava aqui com a finalidade de investimento em infraestrutura do governo federal, nós temos só com relação a essa questão de estragos físicos, um valor na ordem de um bilhão de reais, que nós estamos usando, inclusive com muita celeridade, por causa do que pode ainda vir esse ano na estação das chuvas, mas do Estado no que diz respeito a isso, prevenção, investimentos, até repará-los. Laboratórios, o resultado é, a resposta é simples, zero”, afirma a prefeita.
Ainda segundo o estudo do TCE, a auditoria realizada pela Corte apontou que o governo estadual prioriza o socorro no pós-tragédia em vez de investir em prevenção.
A reportagem da Rede 98 procurou o Governo de Minas, que até o fechamento desta edição não se pronunciou.
Com colaboração de Arthur Madeira, da Rede 98, Guilherme Alves.
