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Automedicação pode mascarar doenças e aumentar risco de intoxicação, alerta especialista

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Igor Teixeira

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(Foto: Divulgação)

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O hábito de tomar medicamentos por conta própria continua comum entre os brasileiros e pode trazer consequências que vão além dos efeitos colaterais. Segundo pesquisa divulgada pelo Jornal da USP, cerca de 90% da população já recorreu à automedicação, principalmente com analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios. A prática tende a aumentar durante o inverno, quando cresce a circulação de vírus respiratórios e a procura por remédios para aliviar sintomas como febre, dor de cabeça e congestão nasal.

De acordo com o médico toxicologista e diretor técnico da Toxicologia Pardini, do Grupo Fleury, Álvaro Pulchinelli, mesmo medicamentos vendidos sem prescrição exigem cuidados.

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“Todo remédio deve ser utilizado conforme as orientações de uso da bula, respeitando a dose, o tempo de tratamento e as possíveis contraindicações”, orienta.

O especialista alerta que o uso prolongado ou inadequado desses medicamentos pode mascarar sintomas importantes, dificultando o diagnóstico de doenças e atrasando a procura por atendimento médico.

“Os remédios isentos de prescrição têm papel importante no alívio de sintomas leves, mas, quando o uso ocorre por tempo prolongado ou em doses superiores às recomendadas, podem mascarar manifestações clínicas importantes e retardar a busca por atendimento médico”, afirma.

Combinação de medicamentos exige atenção

Outro ponto de atenção é o uso simultâneo de diferentes medicamentos, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. Segundo Pulchinelli, qualquer novo medicamento deve ser informado ao profissional de saúde, especialmente em casos de doenças renais ou hepáticas.

Os anti-inflamatórios estão entre os remédios mais utilizados de forma inadequada. O uso frequente ou em doses elevadas pode aumentar o risco de lesões nos rins, sangramentos gastrointestinais e complicações cardiovasculares.

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“Podem irritar o estômago, alterar a coagulação sanguínea e afetar a função renal, principalmente em pacientes idosos ou aqueles que apresentam doenças crônicas dos rins”, explica.

Misturar álcool e medicamentos também traz riscos

O especialista também faz um alerta para a combinação de medicamentos com bebidas alcoólicas. Calmantes, relaxantes musculares e outros remédios que atuam no sistema nervoso central podem potencializar os efeitos do álcool, aumentando o risco de intoxicações e acidentes.

Outro hábito que preocupa é o reaproveitamento de antibióticos armazenados em casa. Além da possibilidade de perda da eficácia por armazenamento inadequado, o uso sem indicação médica contribui para o avanço da resistência bacteriana.

Segundo Pulchinelli, o uso inadequado desses medicamentos favorece o surgimento de bactérias resistentes, tornando infecções comuns cada vez mais difíceis de tratar e representando um desafio para a saúde pública.

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Igor Teixeira

Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA, é repórter de cidades e política da 98FM. Tem passagens pela TV Alterosa e Itatiaia.

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