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Miopia infantil: já dá para frear o avanço do grau; entenda como

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Oftalmologista explica como frear a miopia infantil (foto: Magnific)

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Trocar os óculos todos os anos deixou de ser a única resposta para a miopia que avança na infância. Segundo o oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, já existem tratamentos com respaldo científico capazes de desacelerar o aumento do grau em muitas crianças. O objetivo não é só enxergar bem agora, mas evitar que a criança chegue à vida adulta com miopia alta.

Nem todo aumento de grau é normal

É comum a miopia aumentar enquanto a criança cresce. O problema, segundo Tiago César Pereira Ferreira, é tratar qualquer aumento como inevitável e apenas atualizar a receita dos óculos a cada ano.

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Dois cenários pedem atenção redobrada: quando o grau aparece cedo, ainda nos primeiros anos escolares, e quando ele avança rápido de uma consulta para outra. Nessas situações, o oftalmologista precisa acompanhar a evolução ao longo do tempo, e não olhar apenas o número do momento.

Quando possível, o médico também mede o comprimento axial, ou seja, o tamanho do olho. Esse dado mostra como a miopia está se comportando, e não somente quanto ela já cresceu.

Quais tratamentos podem frear a progressão

O oftalmologista cita quatro linhas com respaldo científico para o controle da miopia infantil:

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  • Atropina em baixas concentrações, em colírio;
  • Lentes de contato de tipos específicos, desenvolvidas para controle de miopia;
  • Ortoceratologia, com lentes usadas durante o sono;
  • Lentes de óculos projetadas especialmente para frear a progressão.

A escolha muda de caso para caso. Uma criança de sete anos com progressão rápida pode exigir uma estratégia diferente da de um adolescente cujo grau está mudando devagar. Entram na decisão a idade, o grau atual, o ritmo de progressão, o comprimento do olho e até a rotina da família, porque um tratamento só funciona se couber no dia a dia de casa.

Um ponto que o médico faz questão de deixar claro: controlar não é o mesmo que prometer que a miopia vai parar. O objetivo é fazer com que ela avance menos.

O que as telas têm a ver com a miopia

Tiago César Pereira Ferreira evita colocar toda a culpa no celular. Para ele, a história é mais complexa do que “tela faz mal”.

O risco maior aparece na combinação de muitas horas em atividades de perto com pouco tempo ao ar livre. Isso inclui celular e tablet, mas também leitura, estudo e qualquer tarefa feita a curta distância por longos períodos.

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Do outro lado, há uma orientação simples e com boa evidência por trás: criança precisa passar tempo fora de casa, com luz natural. O tempo ao ar livre ajuda principalmente a reduzir o risco de a miopia aparecer.

Em vez de transformar a tecnologia em vilã, o oftalmologista sugere olhar a rotina inteira. Tem pausa durante o estudo? A criança brinca fora de casa? Passa algum tempo olhando para longe? Esse equilíbrio importa.

Quando levar a criança ao oftalmologista

Não é preciso esperar a criança reclamar. Esse, aliás, é um dos maiores problemas: muitas acham que enxergar daquele jeito é o normal e não falam nada.

O acompanhamento deve começar ainda na infância, com atenção especial quando pai ou mãe é míope, quando a criança já apresenta grau em idade precoce ou quando esse grau está aumentando entre as consultas. Depois do diagnóstico, a frequência depende de cada caso. Para muitas crianças em acompanhamento de progressão, são usados intervalos em torno de seis meses, mas esse prazo pode mudar.

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Na consulta, vale perguntar se o caso tem indicação de tratamento para controle de progressão e se é possível acompanhar o comprimento axial do olho. Em casa, a recomendação é garantir tempo diário ao ar livre e criar pausas nas tarefas de perto, incluindo estudo, leitura e telas.

Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, quem depende da rede pública deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, responsável pelo encaminhamento para a oftalmologia no SUS.

Por que miopia alta preocupa no futuro

Essa é a parte que muitas famílias desconhecem: miopia alta não significa apenas um óculos mais forte.

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Conforme o olho fica mais alongado, algumas estruturas oculares ficam mais vulneráveis, e cresce o risco de alterações da retina e da mácula relacionadas à miopia, descolamento de retina, glaucoma e catarata ao longo da vida.

Há ainda um agravante de tempo. Uma criança que fica míope muito cedo tem muitos anos pela frente para esse grau continuar subindo. “Estamos pensando nos olhos que essa criança terá aos 30, 40, 50 anos”, resume o oftalmologista.

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Carol Ferraris

Jornalista, pós graduada em produção de jornalismo digital pela PUC Minas. Produtora multimídia de entretenimento na Rádio 98, com passagens pelo Estado de Minas e TV Alterosa.

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