Embora a folia esteja marcada apenas para fevereiro, a preparação para o Carnaval de Belo Horizonte ganha força nos próximos dias com o início dos ensaios e a definição dos cortejos. Para apoiar a estruturação dos grupos da capital mineira, o Shopping O, localizado em frente à Rodoviária, passa a abrigar a Casa Carnaval no terceiro andar do edifício.
O novo espaço será cedido gratuitamente para a realização de ensaios dos blocos de rua. A iniciativa foi viabilizada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Cemig e apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, em um investimento estimado em R$ 400 mil para a revitalização da área.
Além do espaço físico para a preparação musical e artística, as agremiações mantêm o foco na captação de recursos financeiros para os desfiles oficiais. A demanda por auxílio financeiro e a reformulação dos repasses públicos, portanto, continuam no centro das discussões entre os produtores culturais e o poder público.
Diálogo com o poder público
A presidente da Liga Belo-Horizontina de Blocos, Polly Paixão, detalhou os critérios de agendamento e a logística para ocupação das salas no centro de compras, destacando que a distribuição das datas busca garantir a equidade entre as agremiações.
“A gente vai colocar nas redes sociais a forma de inscrição. Uma delas vai ser por ordem de chegada no e-mail, por isso tem que estar de olho. A outra é o tamanho do bloco para a gente ocupar bem o espaço. E para melhorar a isonomia, se tiver uma grande demanda, o bloco vai poder ensaiar duas vezes por mês, com cinco ensaios durante a semana à noite e cinco nos fins de semana”, explicou Polly Paixão.
Já o fundador do bloco Baianas Ousadas, Geo Ozado, comemorou a conquista do espaço físico e ressaltou que os organizadores mantêm conversas com a Belotur para aprimorar os editais municipais de subvenção e fortalecer o ecossistema da festa na capital.
“É importante ter essa integração da sociedade e do ente público. O Carnaval de Belo Horizonte se tornou um dos maiores do Brasil na última década, mas a escuta e o diálogo precisam acontecer. Retomamos a conversa com a prefeitura e estamos aguardando a reformulação do edital da Belotur, para que atenda com mais justiça e equidade a realidade da diversidade de todos os blocos da cidade”, afirmou Geo Ozado.
