O especialista em tecnologia e professor da PUC Minas, Wellington Costa Monteiro, explicou, em entrevista à 98 News, por que o avanço da inteligência artificial ainda não se traduz em lucros diretos para as empresas. Segundo o especialista, há uma clara desconexão entre o ganho de produtividade individual e o impacto financeiro real no caixa das organizações.
Monteiro apontou que o grande erro das corporações é implementar ferramentas de inteligência artificial sem um alinhamento direto com os objetivos estratégicos do negócio. Essa falha de planejamento faz com que o uso da tecnologia ajude tarefas pontuais, mas não gere valor operacional ou redução expressiva de despesas.
“Quando você não tem uma produtividade atrelada à estratégia, você não tem o resultado operacional e, consequentemente, o lucro. Os erros mais comuns são começar pela ferramenta e não pelo problema relevante a ser resolvido, ter o piloto descolado da estratégia e usar dados não confiáveis.”
Automação de tarefas
O professor ressaltou que a inteligência artificial não vai substituir pessoas, mas sim assumir funções repetitivas e operacionais. Com essa transição, o fator humano ganha ainda mais relevância dentro das empresas, exigindo profissionais capacitados no negócio e competências comportamentais para conduzir as novas ferramentas digitais.
“A IA não substitui pessoas, a IA substitui tarefas. As tarefas operacionais e repetitivas cada vez mais vão passar por automação. Mas é importante destacar que, quanto mais a IA avança, mais importante se torna a questão humana, como a criatividade, fazer as perguntas certas e a ética.”
Risco de colapso
Autor do livro Não Automatize o Caos, o especialista alertou sobre os riscos de aplicar inteligência artificial em estruturas organizacionais desorganizadas. Para evitar falhas de escala e segurança, Monteiro defende que as empresas precisam de governança, arquitetura sólida e um diagnóstico preciso da sua maturidade digital antes de expandir os projetos.
“Por isso que eu falo ‘não automatize o caos’, porque alguns negócios dependem fielmente dos serviços digitais. O mercado vai separar as empresas que apenas utilizam a IA para dar um suporte daquelas que fazem da IA um diferencial competitivo.”
