O Diário de Anne Frank, um dos relatos mais conhecidos sobre a perseguição aos judeus durante o regime nazista, virou alvo de uma polêmica nas redes sociais após uma entrevista realizada durante a Bienal do Livro, realizada nas últimas semanas em São Paulo.
Uma jovem entrevistada no evento afirmou que a obra foi o “pior livro” que leu neste ano. Segundo ela, a forma como Anne Frank narra o próprio sofrimento soava muito “vitimista”.
A declaração provocou repercussão negativa e levou o Museu do Holocausto a se manifestar sobre o episódio. Em uma publicação nas redes sociais, a instituição ressaltou que o diário deve ser compreendido dentro do contexto em que foi escrito: o de uma adolescente judia perseguida pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
“Diante dos recentes questionamentos sobre a postura e a escrita de Anne Frank, é importante lembrar: seu diário é o registro de uma adolescente submetida à perseguição nazista. Narrar o sofrimento não significa fazer dele uma identidade”, afirmou o Museu do Holocausto.
A instituição também destacou que uma vítima de perseguição não tem a obrigação de apresentar ao leitor uma narrativa que seja confortável ou agradável.
Quem foi Anne Frank?
Anne Frank nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 1929, em uma família judia. Com a ascensão do nazismo e o avanço da perseguição aos judeus, sua família deixou a Alemanha e se mudou para Amsterdã, nos Países Baixos.
Em 1942, depois que os nazistas ocuparam o país, Anne e a família passaram a viver escondidos em um espaço secreto localizado nos fundos do prédio onde funcionava a empresa de seu pai, Otto Frank. O local ficou conhecido como “Anexo Secreto”.
Durante os mais de dois anos em que permaneceu escondida, Anne escreveu em um diário sobre a rotina no esconderijo, seus medos, conflitos familiares, amizades, descobertas da adolescência e a situação de perseguição vivida pelos judeus.
Em agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto. Anne e os demais ocupantes foram presos e enviados para campos de concentração. Anne morreu no campo de Bergen-Belsen, provavelmente em fevereiro de 1945, aos 15 anos, vítima das condições do campo e de uma epidemia de tifo.
Otto Frank foi o único integrante da família imediata de Anne a sobreviver ao Holocausto. Depois da guerra, ele publicou o diário da filha, que se tornou um dos principais testemunhos pessoais sobre a perseguição nazista.
Por que o diário é tão conhecido?
Publicado originalmente em 1947, o livro apresenta a experiência de Anne a partir de uma perspectiva íntima e adolescente. Por isso, o texto não é apenas um relato histórico dos acontecimentos da época: também registra pensamentos, inseguranças, conflitos e expectativas comuns à adolescência.
A obra foi traduzida para dezenas de idiomas e ganhou adaptações para o teatro, cinema e televisão. O diário também se tornou uma das formas mais conhecidas de apresentar às novas gerações aspectos da perseguição aos judeus durante o Holocausto.
