A chuva dos últimos dias fez uma grande quantidade de lama descer da área do empreendimento de luxo Green Valley, no Vale dos Cristais, em Nova Lima, e invadir a Avenida das Constelações.
Imagens obtidas pela Rede 98 mostram uma enxurrada de barro saindo do terreno e tomando a via.
Moradores da região, que preferiram não se identificar, também relatam a presença de sedimentos nas proximidades de uma ponte sobre o Ribeirão dos Cristais, curso d’água que passa na região entre a avenida e a MG-030.
A preocupação é com o caminho que esse material pode fazer durante as chuvas, já que parte dos sedimentos pode seguir para o córrego e outra parte atingir a avenida.
Os moradores também questionam se os bueiros e o sistema de drenagem da região estão preparados para receber a água carregada de terra e sedimentos.
O Green Valley, da Patrimar, passou por movimentação de terra e retirada de vegetação nos últimos meses.
Documentos ambientais registram autorização para a retirada de vegetação nativa em uma área de 3,22 hectares, cerca de 3 campos de futebol.
O processo ambiental também prevê sistema de drenagem para o empreendimento.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, pode chover na região até a próxima segunda-feira, o que pode levar ainda mais barro para a avenida, sistema de drenagem e para o córrego da região.
Nós procuramos a Patrimar para saber se a empresa pretende tomar alguma medida para evitar novos episódios e aguardamos um retorno.
Vídeos
Histórico de polêmica
O Green Valley é alvo de questionamentos ambientais e judiciais. A Rede 98 já mostrou que o licenciamento do empreendimento passou por uma série de idas e vindas, com diferentes processos e autorizações ao longo dos últimos anos.
Em abril deste ano, a Justiça de Nova Lima determinou a paralisação das obras após uma ação apresentada por moradores, que questionaram impactos ambientais do projeto. A decisão, porém, foi suspensa posteriormente pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Depois disso, as atividades no terreno foram novamente suspensas, desta vez por meio de um acordo judicial envolvendo a Patrimar e o Ministério Público.