O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), defendeu nesta quarta-feira (28/10) um “boicote” à classe política e criticou os benefícios concedidos a parlamentares, como apartamentos funcionais, carros oficiais e planos de saúde. Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador pediu que a população cobre os representantes eleitos e se una contra os privilégios políticos, independentemente das diferenças ideológicas.
“A classe política é que precisa ser boicotada. Cobre seu político que foi eleito. Eu não fui eleito governador? Tem uma escolta me esperando ali, eu tenho que ser cobrado e o político que foi eleito tem que ser cobrado”, afirmou.
A gravação foi feita no apartamento funcional utilizado por Cleitinho em Brasília. O governador eleito disse que deixará o imóvel em dezembro e criticou a substituição de móveis e eletrodomésticos antes de sua saída.
“Vou sair daqui agora, gente, em dezembro. Sabe o que eles já fizeram? Estão trocando os móveis. Já trocaram a geladeira, uma geladeira maravilhosa, e isso quem vai pagar é você”, declarou.
Cleitinho também questionou outros benefícios destinados aos parlamentares, entre eles carros oficiais, auxílio-paletó e planos de saúde. Segundo ele, eleitores de diferentes posições políticas deveriam se unir para cobrar o fim dessas vantagens.
“Claro que você pode ser de direita, pode ser de esquerda. Eu sou de direita, mas vocês podem se unir para acabar com isso. Com esses privilégios que a classe política tem enquanto vocês brigam”, disse.
Irmão de Cleitinho criticou retaliações contra eleitores de Lula
A manifestação de Cleitinho ocorreu horas depois de seu irmão, o deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos), criticar campanhas de boicote e retaliações promovidas por empregadores contra funcionários após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de domingo (25/10).
Em publicação nas redes sociais, Gleidson pediu aos eleitores de direita que respeitassem o resultado das urnas e condenou atitudes de vingança motivadas por divergências políticas.
“Não pague o mal com o mal, não confunda fazer justiça com vingança. Eu estou falando isso para você que é de direita, bate no peito e fala que é cristão”, afirmou.
Na terça-feira (27/10), a deputada estadual Leninha (PT) apresentou um pedido à Polícia Civil de Minas Gerais para investigar denúncias de retaliação e violência política contra eleitores de Lula.
As manifestações dos irmãos ocorreram em meio à repercussão de episódios de hostilidade política registrados após o segundo turno das eleições presidenciais.