O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (28/10) que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil não altera as medidas anunciadas pelo governo federal para investigar os episódios de violência política registrados após as eleições presidenciais. Durante coletiva no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Boulos também acusou o senador de deixar o país para evitar responder a investigações criminais.
A declaração ocorreu após um jornalista questionar se a viagem de Flávio aos Estados Unidos poderia reduzir o clima de tensão política e tornar desnecessárias as medidas anunciadas pelo governo.
Boulos respondeu que a prioridade é responsabilizar os autores dos ataques já registrados, independentemente da situação do candidato derrotado.
“Dez pessoas foram mortas pelas suas convicções políticas nos últimos quatro dias no Brasil. Isso não é normal. Isso não é aceitável sob qualquer ponto de vista”, afirmou.
‘Isso independe da fuga do Flávio Bolsonaro’, afirma ministro
Ao responder à pergunta, Boulos afirmou que o governo espera uma redução da violência política nos próximos dias, mas ressaltou que os crimes cometidos precisam ser investigados.
Segundo ele, a ausência de punição poderia estimular novos ataques contra pessoas por suas preferências eleitorais.
“Se isso fica impune, é um convite à repetição. Se as pessoas acham que podem tudo, que podem barbarizar, que podem esfaquear, que podem espancar, que podem até matar quem pensa diferente delas, a gente deixa de viver numa democracia”, declarou.
Na sequência, o ministro separou a atuação do governo contra a violência política da situação judicial de Flávio Bolsonaro.
“Isso independe da fuga do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Boulos também fez acusações contra o senador, que deixou o Brasil após perder o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Aliás, o assunto Flávio Bolsonaro é um assunto da Justiça, da Polícia Federal, do caso de um senador da República que é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas e que fugiu do país para não responder pelos seus crimes”, declarou.
As afirmações sobre os motivos da saída de Flávio são acusações feitas por Boulos. A existência de investigações não representa comprovação de culpa.
Flávio nega fuga e anuncia oposição do exterior
A declaração de Boulos ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro divulgou uma carta após chegar aos Estados Unidos.
No documento, o senador negou ter fugido do Brasil e afirmou que deixou o país por considerar que enfrenta perseguição política.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
Flávio também se declarou o verdadeiro presidente eleito, questionou o resultado das urnas e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.
Na carta, o senador afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e classificou as medidas judiciais relacionadas ao seu passaporte como parte de uma perseguição política.
Governo anuncia articulação para investigar ataques
Durante a coletiva, Boulos anunciou que o governo federal contabilizou 45 casos de violência política desde sábado (24/10), incluindo dez homicídios.
O ministro afirmou que os ataques atingiram principalmente apoiadores de Lula após a divulgação do resultado eleitoral.
Para acompanhar os casos, o Ministério da Justiça anunciou uma articulação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF), os Ministérios Públicos estaduais e as corregedorias das polícias.
A Polícia Federal deverá atuar nas ocorrências de competência federal, enquanto os órgãos estaduais serão acionados nos casos relacionados às suas atribuições.
Boulos afirmou que as medidas buscam responsabilizar os envolvidos e evitar novos episódios de violência.
“O que nós estamos anunciando aqui é que isso não ficará impune”, concluiu.