A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que uma perícia particular identificou registros de criação e modificação de arquivos em seu celular após a apreensão pela Polícia Federal (PF), em novembro de 2025. Em petição apresentada nesta quinta-feira (29/10) ao Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados questionam a integridade dos dados.
Segundo a análise do perito Marcos Monteiro, da empresa MM Forense, o relatório oficial da PF registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal associadas ao reconhecimento facial e três conexões USB entre a noite de 17 de novembro e a madrugada do dia seguinte.
A defesa afirma ainda que, em 18 de novembro, foram registrados 657 arquivos modificados e 436 criados. Outros 340 arquivos têm datas de modificação em 13 e 14 de maio de 2026, quase seis meses após a extração dos dados, realizada em 19 de novembro de 2025.
O laudo, porém, não identifica os responsáveis pelas alterações nem conclui que houve adulteração intencional.
Os advogados também apontam falhas na documentação sobre a apreensão, a lacração e o manuseio do aparelho. Além disso, afirmam que a PF forneceu apenas um relatório derivado da extração, sem os arquivos brutos originais e os códigos hash, utilizados para verificar a integridade dos dados digitais.
Advogados pedem acesso aos arquivos originais
A defesa do ex-banqueiro afirma que os pedidos de acesso aos arquivos originais e aos registros técnicos foram apresentados ao STF em fevereiro de 2026, mas ainda não foram apreciados.
Na nova petição, os advogados solicitam a preservação e a entrega dos dados brutos e da documentação técnica. Também afirmam que a falta de acesso prejudica o direito de defesa e volta a questionar a prisão de Vorcaro, que, segundo eles, permanece sem acusação formal.
Vorcaro foi indiciado em investigação sobre fraudes bilionárias
Nessa quarta-feira (28), a PF indiciou Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. De acordo com a investigação, os dois são apontados como responsáveis por chefiar as fraudes apuradas.
A apuração integra a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de concessão de créditos fictícios pelo Banco Master e irregularidades em operações com o BRB. As transações sob investigação podem somar cerca de R$ 17 bilhões e incluem suspeitas de negociação de carteiras de crédito sem lastro e uso de documentos falsos.
