PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Advogado de Bolsonaro diz que denúncia do golpe é ‘conjectura’

Siga no

O advogado Celso Vilardi teve 15 minutos na tribuna para tentar livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de uma ação penal (TV Justiça/Reprodução)

Compartilhar matéria

O advogado Celso Vilardi, criminalista experiente, teve 15 minutos na tribuna da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar livrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de uma ação penal pelo plano de golpe. A sustentação oral – momento em que a defesa expõe seus argumentos – era a mais aguardada da manhã desta terça-feira, 25, afinal o ex-presidente foi denunciado como o líder da organização criminosa armada que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), planejou anular o resultado das eleições e até executar autoridades.

Os ministros da Primeira Turma vão decidir se há elementos suficientes para receber a denúncia – o que se chama no jargão jurídico de “justa causa da ação penal”. A votação está prevista para começar na parte da tarde com o voto do ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A estratégia da defesa foi tentar colocar em dúvida o fôlego das provas reunidas pela PGR. Nesta fase, se não há indícios mínimos que justifiquem as acusações, o caminho natural é o encerramento do caso, sem a abertura formal de um processo criminal. Esse é o cenário ideal para a defesa, mas também o mais improvável.

“Enquanto a Polícia Federal fala ‘possivelmente’, enquanto a denúncia traz conjecturas, como a impressão de um documento no Palácio do Planalto, o fato concreto é que o acusado de liderar uma organização criminosa para dar golpes socorreu o ministro da Defesa nomeado pelo presidente Lula porque o comando militar não o atendia. Foi o presidente (Bolsonaro) que determinou a transição”, rebateu o advogado.

Celso Vilardi argumentou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não assinou nenhuma minuta de caráter golpista e nem teve participação nos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

“Com o presidente não se achou absolutamente nada”, rebateu. “Não existia nenhum elemento, então começa uma narrativa a respeito de pronunciamentos públicos para terminar no 8 de Janeiro. Entendo a gravidade de tudo o que aconteceu no 8 de Janeiro, mas não é possível que se queira imputar a responsabilidade ao presidente da República o colocando como líder de uma organização criminosa quando ele não participou.”

O advogado também apostou em um “plano B”. Vilardi questionou aspectos processuais da investigação, em uma tentativa de enterrar o caso por supostas irregularidades formais. Ele insistiu que não teve acesso a todas as provas da investigação, como a íntegra das conversas extraídas dos celulares apreendidos pela Polícia Federal. “Temos tudo o que a denúncia citou, mas esse é o recorte da acusação. Com todo respeito, a defesa tem direito a fazer o seu próprio recorte”, argumentou.

O criminalista também defendeu que o julgamento deveria ocorrer no plenário do STF e não na Primeira Turma. Pelo regimento interno do Supremo, ações penais são julgadas nas turmas, para desafogar o plenário e deixá-lo livre para decidir sobre controvérsias constitucionais. A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirma, no entanto, que a regra não se aplica a presidentes e, por extensão, a ex-presidentes.

Um dos principais questionamentos envolve a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. As informações prestadas pelo antigo braço-direito de Bolsonaro deram uma guinada na investigação do golpe. A defesa do ex-presidente afirma que o acordo é inválido porque Mauro Cid disse a pessoas próximas que foi pressionado a confirmar uma “narrativa pronta”.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Posteriormente, o tenente-coronel afirmou que prestou as informações voluntariamente e negou ter vazado trechos do acordo “O delator rompeu com o acordo quando vazou a delação”, alegou Vilardi.

Ao todo, 34 pessoas foram denunciadas por suspeita de participação no plano de golpe. Os julgamentos foram fatiados para facilitar as análises caso a caso. A denúncia analisada nesta terça envolve o “núcleo 1” ou “núcleo crucial” da empreitada golpista – os líderes das articulações do golpe. Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram acusados neste grupo Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-diretor da Abin), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha) e Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro).

As defesas acumularam uma série de derrotas entre o oferecimento da denúncia e o julgamento sobre a admissibilidade das acusações Os advogados pediram a suspeição de ministros, a transferência do julgamento ao plenário do STF e mais prazo para enviar as defesas. Todos os pedidos foram rejeitados.

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Política

Mendonça proíbe CPMI do INSS de acessar dados de Vorcaro em sala-cofre

Brasil e Bolívia firmam acordos de energia e cooperação no combate ao crime organizado

PT aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por vídeos que associam Lula ao crime organizado

Tudo sobre o Imposto de Renda 2026: veja prazos, quem precisa declarar, restituição e mais

CPMI do INSS ouve Leila Pereira nesta quarta sobre consignados da Crefisa

Bolsonaro tem melhora da infecção e deixa a UTI, diz Michelle

Últimas notícias

Governo lança Plano Clima com meta de reduzir emissões até 2035

Paulo Bracks elogia janela e pede paciência com reforços em 2026

Paulo Bracks se manifesta após faixas de protesto contra sua gestão no Atlético

Governo de Minas paga R$ 102 milhões do Propag à União

Atlético não vai trazer mais nenhum reforço na primeira janela de 2026, revela Paulo Bracks

Oncoclínicas fecha acordo preliminar com a Porto Seguro para criar NewCo

Bracks diz que Atlético ‘brigou para ser campeão’ nos últimos anos e projeta ‘parte de cima’ em 2026

Ministro da educação anuncia reconstrução de seis escolas na Zona da Mata

‘Ninguém o viu’: Trump diz não saber se novo líder do Irã sobreviveu aos ataques