O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre a autorização de uso da Lei de Reciprocidade Econômico contra os Estados Unidos. Cumprindo agenda em Contagem, nesta sexta-feira (29/9), Lula disse que “o Brasil não quer ser tratado como moleque” pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
“O Brasil já tem maturidade suficiente para ser respeitado. Não é porque alguém é mais rico do que eu que pode falar grosso comigo não. Não pode. Eu aprendi com a mãe analfabeta: educação a gente não aprende na escola, a gente aprende no berço. Se você não for educado em casa, você dificilmente será uma pessoa educada. Então, nós estamos tentando negociar”, declarou o presidente.
“Temos muita gente à disposição negociar. Ontem eu ainda disse numa entrevista que quando quiserem negociar, o Lulinha a paz e amor estará de volta. Amém! Porque eu comecei a minha vida negociando. Eu a vida inteira negociei. Eu fazia greve de manhã e negociava de tarde, fazia de tarde e negociava no outro dia. Eu não tenho problema de negociar. O problema é quando você não tem interlocutor”, continuou.
O presidente disse, ainda, que a taxação dos Estados Unidos sobre o Brasil teve como fundamento uma mentira, já que Trump argumentou que taxaria os países que tinham déficit comercial com os Estados Unidos.
No ano passado, o Brasil exportou 40 bilhões para os Estados Unidos e eles exportaram 47 bilhões para nós. Significa que nós tivemos um déficit de 7 bilhões. Isso significa que eles tiveram um superávit de 7 bilhões. Porque eles exportaram 7 bilhões a mais. Em 15 anos, eles tiveram um superávit com a relação ao Brasil de 410 bilhões de dólares. Portanto, quem deveria estar taxando éramos nós e não eles”, declarou.
“A segunda coisa grave é que que eles resolveram se meter na nossa soberania e na soberania da nossa justiça. Eles querem que a gente pare o processo com o Bolsonaro que está na Suprema Corte. Ora, não somos nós que estamos processando o ex-presidente”, disse o presidente.