PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O Brasil e o atraso escolar 

Siga no

Tânia Rego / Agência Brasil

Compartilhar matéria

Estamos em pleno 2025 e ainda convivemos com uma realidade que compromete o futuro do país, São mais de 4 milhões de estudantes brasileiros com dois anos ou mais atrasados na escola. Esse número alerta para uma reflexão necessária: são 12,5% de todas as matrículas no ensino básico, de acordo com o Censo Escolar de 2024. Ficam escancaradas as desigualdades profundas, que mais do que educacionais, são sociais. São trajetórias interrompidas e vidas que começam a ser empurradas para fora da escola.

A Agência Brasil traz a opinião da especialista do Unicef, Julia Ribeiro, que afirma que o atraso não pode ser tratado como fracasso individual do aluno. É resultado de um conjunto de fatores estruturais: pobreza, falta de apoio familiar, desigualdades regionais e políticas públicas insuficientes.

Essa sensação de não pertencimento é um gatilho perigoso para o abandono. E abandonar a escola significa comprometer não só a vida de um jovem, mas o futuro de toda a sociedade.

Não é por acaso que um terço dos adolescentes acredita que a escola não sabe nada sobre sua vida e sua família, segundo pesquisa Unicef/Ipec de 2022. Como esperar que esses jovens se engajem com uma instituição que parece distante da sua realidade?

A escola, que deveria ser ponte, muitas vezes se transforma em muro.

O atraso escolar abre a porta para um drama ainda maior: o abandono. E os números do IBGE mostram como essa ferida se perpetua na vida adulta.

No Brasil ainda há quase metade dos brasileiros sem o ensino médio concluído, que se transforma em um passaporte para empregos precários, salários baixos e menos oportunidades de participação cidadã.

No mercado de trabalho, as diferenças são cruéis: quem conclui o ensino superior chega a mais do que dobrar a renda em comparação com quem não tem diploma, segundo a OCDE. Ou seja, cada ano perdido na escola significa menos chances de romper o ciclo de desigualdade.

A distorção idade-série não é problema apenas do estudante ou da família. É responsabilidade de toda a sociedade: governos, escolas, organizações do terceiro setor e comunidades. O Unicef, em parceria com o Instituto Claro e apoio da Fundação Itaú, lançou a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, que propõe justamente isso: enfrentar a cultura do “fracasso escolar” e oferecer caminhos para reverter o atraso.

Mas nenhuma estratégia será suficiente sem o reconhecimento coletivo de que a escola precisa dialogar mais com a vida real do estudante. Não basta dar aula: é preciso ouvir, acolher, entender as condições de cada território.

A educação é a política pública mais presente no território brasileiro. Está em quase todos os bairros, em quase todas as cidades. Se a escola não conseguir se conectar com a realidade de seus alunos, quem mais conseguirá?

Mais do que números e índices, está em jogo a promessa de futuro. E ela só se cumpre quando cada criança e cada adolescente pode encontrar na escola um lugar de reconhecimento, oportunidade e esperança.

Compartilhar matéria

Siga no

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de 98

Como ensinar honestidade quando a desonestidade virou paisagem?

Duplicar a estrada, furar o bloqueio do atraso

A crueldade fantasiada de compaixão

O Campeonato Mineiro 2026 foi comprado!

BH tropeça na omissão. Moradores de rua, calçadas ocupadas e a falta de ação

Avaliação de quotas e participações societárias na Lei Complementar 227/2026

Últimas notícias

Libertadores: veja datas, horários e onde assistir o Cruzeiro na competição

Sul-Americana: veja datas, horários e onde assistir o Atlético na competição

Atlético encara o Fluminense em último jogo antes da Data FIFA; saiba onde assistir 

Neymar está fora de Cruzeiro x Santos, revela Cuca

Em tom de campanha, Lula entrega ônibus escolares e cita programas sociais em MG

Presidente Lula entrega centenas de ônibus escolares em Sete Lagoas

Domínguez deve mudar defesa do Atlético para enfrentar o Fluminense; veja provável escalação

William pede desculpas  à torcida do Cruzeiro após viralizar vídeo ‘rindo’ depois de derrota

Neto de Rubens Menin é contratado para estágio no Atlético