Após mais de duas décadas e meia de idas e vindas, a União Europeia (UE) aprovou nesta sexta-feira (9/1) o aguardado acordo comercial com o Mercosul. A decisão, tomada em Bruxelas, abre caminho para a criação da maior zona de livre comércio do planeta, integrando os mercados de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai aos 27 países do bloco europeu.
A aprovação marca o fim de uma maratona diplomática iniciada ainda no século passado. As negociações técnicas haviam sido concluídas em dezembro de 2024, mas o texto enfrentava forte resistência interna na Europa, especialmente da França, que temia prejuízos aos seus agricultores. Para destravar o pacto, foram incluídas diversas cláusulas de salvaguarda destinadas a acalmar o setor rural europeu.
Efeito Trump
A aceleração da ratificação não é coincidência. Analistas apontam que o movimento é uma resposta estratégica da Europa às relações transatlânticas tensas sob a gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o protecionismo americano em alta, a Comissão Europeia pressionou pela aprovação rápida para garantir novos mercados e parceiros confiáveis no sul global.
O que muda na prática?
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas de importação em diversos setores.
Para o Mercosul: O grande ganho é a facilitação da entrada de produtos agrícolas no exigente mercado europeu, com destaque para a carne bovina, soja e frutas, que hoje sofrem com cotas e taxas elevadas.
Para a Europa: O bloco ganha acesso privilegiado ao mercado sul-americano para produtos industriais de alto valor agregado, como carros, maquinários e vinhos, que passarão a entrar no Brasil e vizinhos com tarifas zeradas ou reduzidas.
