A redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras ainda não chegou ao bolso do consumidor em Belo Horizonte. O novo valor, que passou a vigorar nesta terça-feira (27/1), estabelece o litro da gasolina a R$ 2,57 nas refinarias, antes da mistura com o etanol. A queda foi de R$ 0,14, o equivalente a 5,2% em relação ao preço anterior.
Apesar do anúncio, motoristas que abastecem na região Centro-Sul da capital afirmam que a diminuição ainda não é percebida nos postos. Para eles, os valores seguem altos e, em alguns casos, continuam subindo.
“Hoje mesmo eu vi um anúncio de gasolina a R$ 5,26, mas até agora nada. Não caiu nada, não”, relata um motorista.
Outro consumidor afirma que nunca percebeu redução imediata quando há anúncios de queda. “Nas bombas eu nunca vi queda, não. Faz muito tempo que o preço está assim.”
Há também quem diga que o valor atual já torna o etanol uma opção mais viável. “Na verdade, está é aumentando. Já está quase compensando abastecer no álcool. Está R$ 4,38. Eu uso um aplicativo para acompanhar os preços”, conta outro motorista.
Além disso, consumidores apontam diferenças de preços entre regiões da cidade, com valores mais elevados na área Centro-Sul. “Aqui na Zona Sul é sempre mais caro. Vai na Zona Norte que costuma ser um pouco mais barato”, afirma.
A percepção geral é de que anúncios de redução nem sempre se refletem rapidamente nas bombas. “Está tudo muito caro. O pessoal anuncia queda de preço, mas é difícil de notar no dia a dia”, comentou outra pessoa.
Especialistas explicam que o repasse de reduções feitas pela Petrobras pode levar alguns dias ou até semanas, já que o preço final depende de fatores como estoques adquiridos anteriormente, margem de distribuidoras e postos, além da carga tributária.
O que diz a Minaspetro?
Em nota, o Sindicato de postos de combustíveis de Minas Gerais (Minaspetro) afirmou que o reajuste anunciado pela Petrobras para a gasolina A pode, realmente, não chegar aos motoristas.
“O reajuste anunciado pela Petrobras para a gasolina A, vigente a partir de amanhã, pode não chegar aos motoristas devido ao alto preço do etanol anidro, que compõe em 30% a gasolina comercializada nos postos. Desde o início de 2026, o combustível de cana subiu R$ 0,19 nas usinas produtoras. O produto é responsável, atualmente, por R$ 1,06 do preço final da gasolina. O aumento em três pontos percentuais de anidro na gasolina, em agosto do ano passado, tem claros benefícios ambientais, no entanto, causa uma consequência comercial, com os reajustes da estatal tendo cada vez menos influência no valor de bomba. Cabe destacar também que o impacto final, levando em conta os 30% de mistura, é de R$ 0,09”, afirmou a entidade em nota.
