Uma passeata marcada para este domingo (1º/2), na Feira Hippie de Belo Horizonte, vai pedir justiça pelo cachorro Orelha, morto após sofrer maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis. O ato, organizado por protetores e ativistas da causa animal, foi marcado para às 10h, e tem como ponto de encontro a rua dos Guajajaras, na entrada da feira.
Orelha era um cão comunitário cuidado espontaneamente por moradores da região há mais de dez anos e considerado um símbolo afetivo da comunidade local. Segundo as investigações, o animal foi vítima de agressões severas que causaram danos irreversíveis à sua saúde.
Ao ser encontrado ferido, o cachorro chegou a receber atendimento veterinário, mas, devido à gravidade das lesões provocadas pelos maus-tratos, precisou passar por eutanásia para que o sofrimento fosse interrompido.
Quatro adolescentes são apontados como suspeitos de envolvimento nas agressões. Dois deles foram alvos de mandados de busca e apreensão no Brasil. Os outros dois estão nos Estados Unidos, em uma viagem que, segundo a apuração policial, já estava programada antes do crime.
Caso a autoria seja confirmada, o inquérito envolvendo os adolescentes será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.
As investigações também apuram um segundo episódio envolvendo o mesmo grupo. Nesse caso, um cachorro de pelagem caramelo teria sido afogado, mas conseguiu escapar. Após o ocorrido, o animal foi adotado pelo delegado responsável pela investigação.
A comoção causada pela morte de Orelha ultrapassou os limites da região e ganhou grande repercussão nas redes sociais. Moradores, ativistas e até personalidades conhecidas, como a cantora Ana Castela e o humorista Rafael Portugal, compartilharam imagens do cachorro nos tempos em que ele vivia tranquilamente na Praia Brava, reforçando pedidos por justiça.
Maus-tratos contra animais é crime
Em setembro de 2020, o governo federal sancionou a Lei 14.064 que aumenta a pena para quem maltratar cães e gatos. A legislação ficou conhecida como “Lei Sansão”, em homenagem ao cachorro da raça pitbull agredido em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Desde então, a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação dos bichos de estimação passou a ser punida com reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda.
A norma alterou a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 2018) e foi originária do Projeto de Lei (PL) 1.095/2019, do deputado Fred Costa (Patriota-MG).
