A maratona de blocos de rua durante o Carnaval exige um esforço físico que muitas vezes ultrapassa o limite do corpo. Entre longas horas em pé, caminhadas em terrenos irregulares e a euforia da festa, o folião se expõe a riscos ortopédicos que podem comprometer não apenas o feriado, mas a saúde a longo prazo. Para evitar que a diversão termine em consultórios médicos, o preparo físico e a escolha estratégica dos acessórios de uso pessoal tornam-se indispensáveis.
Segundo o médico ortopedista Daniel Oliveira, especialista em coluna vertebral e sócio do NOT, a anatomia do calçado é o fator determinante para quem pretende enfrentar maratonas de até oito horas de caminhada. Ao comparar o tênis esportivo com a sandália de tiras, o médico destaca que a proteção biomecânica do tênis é muito superior. Daniel Oliveira explica que modelos com sistema de absorção de impacto e solado antiderrapante evitam entorses que são comuns com o uso de sandálias, que não oferecem contenção ao calcanhar.
Um erro frequente entre os foliões é optar por rasteirinhas acreditando serem seguras por não terem salto. Daniel Oliveira alerta que calçados totalmente planos podem ser tão prejudiciais quanto o salto alto, pois a ausência de suporte sobrecarrega a fáscia plantar e os tendões. Essa sobrecarga favorece o surgimento de fascite plantar e tendinites. A recomendação do especialista é buscar calçados que possuam uma leve elevação no calcanhar, entre 2 e 4 centímetros.
Veja também
| Característica | Tênis Esportivo | Sandália/Rasteirinha |
|---|---|---|
| Amortecimento | Alto (Sistemas de impacto) | Baixo ou Inexistente |
| Estabilidade | Alta (Contenção do calcanhar) | Baixa (Risco de entorse) |
As lesões mais recorrentes nos prontos-socorros durante a folia são entorses de tornozelo, lombalgias agudas e estiramentos. O folião deve monitorar sinais como dor intensa, inchaço, hematomas ou limitação de movimento. Daniel Oliveira ressalta que, em casos de dores lombares que irradiam para as pernas, há risco de comprometimento neurológico, o que exige a interrupção imediata da festa e busca por atendimento.
Para prevenir incidentes, o ortopedista sugere um aquecimento de cinco a dez minutos, incluindo caminhada leve e movimentos articulares. Alongamentos dinâmicos para panturrilhas, coxas, glúteos e região lombar são essenciais para preparar a musculatura.
Em episódios de entorse leve, Daniel Oliveira orienta a aplicação do protocolo RICE: repouso, gelo por 20 minutos, compressão e elevação do membro. O médico reforça que mesmo lesões que parecem simples devem ser avaliadas por um profissional para descartar fraturas ocultas ou danos ligamentares mais graves.
