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Moraes vota para condenar irmãos Brazão por assassinato de Marielle e aponta crime político

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Moraes rejeitou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas (Rosinei Coutinho/STF)

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta quarta-feira (25/2) pela condenação dos irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão por planejarem e mandarem matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro.

O relator também votou para condenar Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar, pelos homicídios, e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, por participação em organização criminosa. Em relação a Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Moraes entendeu que não há prova específica de sua participação direta nos assassinatos.

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Preliminares rejeitadas

No início do voto, Moraes rejeitou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas, que buscavam anular o processo por aspectos técnicos, sem enfrentar o mérito das acusações.

“Eu já, desde logo, afasto as preliminares de incompetência do STF, de inépcia da inicial, de inexistência de justa causa, também afasto a preliminar em relação à nulidade da colaboração premiada”, afirmou.

Crime político, misoginia e racismo

Ao fundamentar o voto, o ministro destacou a motivação política do crime e o que classificou como um contexto de misoginia, racismo e atuação de milícias. Segundo Moraes, o assassinato teve caráter simbólico e buscou reafirmar o poder de grupos criminosos.

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“Se juntou a questão política com misoginia, com racismo, com discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? E na cabeça misógina de executores, quem iria ligar pra isso?”, declarou.

O relator afirmou que o crime deve ser compreendido não apenas como um atentado contra uma parlamentar, mas como uma ação de dominação do crime organizado e de violência de gênero.

“O assassinato de Marielle tem que ser compreendido não só como atentado a parlamentar, mas um crime na ideia de dominação do crime organizado, e também de violência de gênero de interromper mulher que ousou ir de encontro aos interesses de milicianos homens, brancos e ricos. O recado a ser dado era esse”, frisou.

Moraes também ressaltou que, na avaliação dele, os acusados não esperavam a repercussão nacional e internacional do caso. “Numa cabeça de 50, 100 anos atrás, vamos executá-la e não terá repercussão. Eles não esperavam tamanha repercussão”, disse.

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Delação e provas

O ministro rebateu a tese das defesas de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República estaria baseada exclusivamente na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa. Segundo Moraes, as informações foram confirmadas por testemunhas e provas técnicas produzidas principalmente pela Polícia Federal.

“Os dados da delação foram corroborados por testemunhas e provas técnicas. As provas se mostram coerentes, especialmente em relação à promessa de terreno como pagamento e posição de comando. A investigação da polícia mostra a motivação do crime e a forma de pagamento”, afirmou.

De acordo com o voto, a motivação central foi o afastamento de uma oposição política considerada obstáculo aos interesses da milícia ligada ao loteamento clandestino de áreas sob influência dos irmãos Brazão.

“A motivação é o afastamento de oposição política, manutenção dos negócios da milícia de loteamento clandestino. Vamos tirar esse obstáculo e parte da área será dada em pagamento. Aqui há a total conexão entre a forma de pagamento e a conexão do crime. A área era de total influência política e miliciana dos irmãos Brazão”, concluiu o ministro.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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