O Japão aprovou o primeiro tratamento do mundo para a doença de Parkinson baseado em células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). A terapia, considerada uma das mais promissoras da medicina regenerativa, poderá chegar ao mercado ainda em 2026.
A autorização foi concedida pelo Ministério da Saúde japonês à farmacêutica Sumitomo Pharma, responsável pelo medicamento Amchepry, que utiliza transplante de células-tronco no cérebro de pacientes.
Além do tratamento para Parkinson, o governo japonês também aprovou o ReHeart, uma terapia experimental desenvolvida pela empresa Cuorips para tratar insuficiência cardíaca grave por meio de lâminas de músculo cardíaco cultivadas em laboratório.
Segundo autoridades de saúde e veículos da imprensa japonesa, os dois tratamentos poderão começar a ser disponibilizados aos pacientes nos próximos meses.
Como funciona o tratamento
A terapia contra o Parkinson utiliza células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS. Esse tipo de célula é obtido a partir de células adultas, como células da pele, que são geneticamente reprogramadas para voltar a um estágio semelhante ao de células embrionárias.
A partir desse estado, elas podem se transformar em diferentes tipos de células do corpo. No caso do Parkinson, as células iPS são convertidas em precursoras de neurônios produtores de dopamina, substância que se reduz progressivamente no cérebro de pessoas com a doença.
Durante o tratamento experimental, essas células são implantadas diretamente no cérebro do paciente para tentar restaurar a produção de dopamina.
Testes iniciais com pacientes
Um ensaio clínico conduzido pela Universidade de Kyoto avaliou a segurança do tratamento em pacientes com Parkinson.
No estudo:
- participaram sete pacientes, com idades entre 50 e 69 anos
- cada participante recebeu entre cinco e dez milhões de células implantadas em ambos os lados do cérebro
Os resultados iniciais indicaram que o procedimento foi seguro e apresentou melhora nos sintomas motores da doença.
Por isso, o medicamento recebeu uma aprovação condicional e limitada no tempo, o que significa que continuará sendo monitorado enquanto é disponibilizado aos pacientes.
Avanço da medicina regenerativa
As células iPS foram descobertas pelo cientista japonês Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 por sua pesquisa.
Desde então, a tecnologia se tornou um dos campos mais promissores da medicina regenerativa.
Segundo o ministro da Saúde do Japão, Kenichiro Ueno, o avanço pode beneficiar pacientes em todo o mundo.
“Espero que isso represente um alívio para os pacientes não apenas do Japão, mas de todo o mundo”, afirmou o ministro durante coletiva de imprensa.
Doença afeta milhões de pessoas
O Parkinson é uma doença neurológica crônica e degenerativa que afeta o sistema motor do corpo.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- tremores
- rigidez muscular
- lentidão de movimentos
- dificuldades de equilíbrio
De acordo com a Fundação Parkinson, cerca de 10 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo.
A aprovação da terapia com células iPS representa um passo importante na busca por tratamentos capazes de restaurar funções neurológicas afetadas pela doença.
