O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025 cresceu 2,3% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 12,7 trilhões em valores correntes, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar do crescimento, o resultado representou uma desaceleração em comparação com o ano de 2024, quando a economia cresceu 3,4%
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma determinada região (país, estado ou cidade) durante um período específico, geralmente um ano ou trimestre. Ele funciona como um termômetro da economia, indicando se ela está crescendo, estável ou em recessão.
O PIB é um dos indicadores econômicos mais importantes porque avalia o estado da economia: Permite saber se a economia está acelerada (alto consumo e produção) ou desaquecida; mede o crescimento; mostra a evolução da riqueza produzida de um ano para o outro; atrai investimentos; investidores estrangeiros olham o PIB para decidir onde aplicar dinheiro; proporciona comparação internacional e permite comparar o tamanho das economias entre países.
O crescimento observado no ano de 2025 foi puxado principalmente pelo desempenho excepcional do setor agropecuário, que cresceu 11,7%, o setor de serviços cresceu 1,8%, sendo o setor de maior peso, representando 69,5% da economia em 2025, e o setor da indústria cresceu 1,4%.
Embora a agropecuária represente cerca de 7% a 8% do PIB total, com valor adicionado bruto de R$ 775,3 bilhões, sua alta produtividade foi responsável por 32,8% de todo o crescimento da economia brasileira em 2025. O ótimo desempenho do agronegócio no PIB foi impulsionado por safras recordes (café, laranja, arroz) e forte desempenho na pecuária.
Essa movimentação dentro da cadeia produtiva, por sua vez, transborda para o comércio exterior. As exportações somaram 169 bilhões de dólares em 2025, sustentando mais de 28 milhões de ocupações, o que corresponde a 26% da força de trabalho ocupada no país.
O setor tem mostrado ganho de produtividade com sustentabilidade, com um aumento de 560% na produção nos últimos 50 anos, utilizando apenas 170% a mais de área.
A forte performance ocorreu em um contexto de taxas de juros (Selic) elevadas, fixadas em 15% ao ano desde junho de 2025, o que torna o desempenho do campo ainda mais relevante.
Apesar do desempenho robusto em 2025, a expectativa é de desaceleração em 2026. Em boletim divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a projeção é de que o PIB brasileiro volte a crescer 2,3%, mas com menor contribuição da agropecuária.
A previsão considera redução na produção de milho e arroz, além de menor abate de bovinos devido à reversão do ciclo pecuário. Por outro lado, a expectativa é de nova colheita recorde de soja, o que pode mitigar parte da desaceleração.
Não obstante a boa safra deste ano, as cotações de grãos em queda e insumos e juros em alta, mesmo com os subsídios do governo, vêm comprimindo as margens de lucro dos produtores desde a safra 2023/2024, levando a desequilíbrios financeiros que se acumulam .
De acordo com o centro de estudos do agronegócio da FGV, em 2026, o agro enfrentará juros altos, escassez de crédito e falta de uma política agrícola estável, dificultando investimentos e custeio das lavouras. Há, também, riscos crescentes de fenômenos climáticos adversos, com possibilidade de estiagem e restrição hídrica. A falta de apoio ao seguro rural expõe a vulnerabilidade do produtor, que fica sem instrumento para mitigação dos riscos. O setor precisa de planejamento de longo prazo e apoio efetivo para garantir competitividade.
Também o impacto da atual guerra dos EUA e Israel contra o Irã trará aumento de custos de insumos importantes como energia do petróleo e GN , venda de insumos e equipamentos agrícolas, e aumento do custo financeiro.
A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 é estimada em recorde de 353,4 a 354,8 milhões de toneladas, essencial para alimentar o nosso País e boa parte do mundo.
