Cerca de 5 mil produtores rurais participaram de um encontro no Expominas, em Belo Horizonte, para discutir os rumos do agronegócio em Minas Gerais. Estratégias de mercado, cenário econômico e a modernização dos meios de produção estiveram entre os principais temas debatidos ao longo do evento.
O momento é considerado delicado para o setor. Em meio ao conflito no Oriente Médio, produtores enfrentam a disparada nos preços dos combustíveis, dos fretes e dos fertilizantes, o que pressiona os custos de produção e pode impactar diretamente o consumidor final.
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, que assume o Executivo estadual no próximo domingo com a saída de Romeu Zema para disputar a Presidência da República, destacou que o aumento do diesel deve gerar reflexos na inflação e defendeu medidas de proteção ao mercado interno.
“O preço do diesel é um problema para o produtor, mas é um problema maior para o consumidor, porque isso vai entrar no preço final e gerar inflação. A preocupação é legítima. O que estamos fazendo é lutar ao lado dos produtores para proteger o nosso mercado”, afirmou.
Simões também criticou a entrada de produtos importados no país e cobrou ações do governo federal.
“O governo federal precisa interromper a entrada de leite importado no Brasil. Estamos vendo também a entrada de morango de outros países, o que prejudica os produtores locais. A preocupação é com o pequeno produtor, que precisa dessa proteção”, completou.
Risco sanitário e concorrência desleal preocupam o setor. O presidente do Sistema Faemg/Senar, Antônio de Salvo, também fez críticas à política de importações e alertou para riscos sanitários, além da concorrência considerada desleal.
“Já tivemos problemas com a tilápia vinda do Vietnã, que traz doenças que não temos aqui. Agora há o risco da entrada de banana do Equador, que pode trazer o fusário raça 4 e comprometer toda a produção nacional”, disse.
Segundo ele, o cenário atual agrava ainda mais os desafios enfrentados pelo setor.
“Já temos uma logística difícil e estamos enfrentando aumento no preço dos combustíveis. Quem vai acabar pagando essa conta é o consumidor. Mesmo assim, seguimos produzindo, mas falta apoio do governo federal”, afirmou.
Além das críticas, o encontro também serviu para alinhar pautas e reivindicações do agronegócio mineiro, especialmente em um ano eleitoral.
Entre as principais demandas estão:
- Ampliação das linhas de crédito rural
- Incentivo à sucessão no campo
- Promoção da sustentabilidade nas propriedades
- Maior alinhamento político para fortalecer o setor
O evento reforçou a mobilização dos produtores diante de um cenário econômico instável e da necessidade de medidas que garantam competitividade e segurança para a produção rural em Minas Gerais.
