Apesar de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ter anunciado, nesta sexta-feira (27/3), a manutenção da bandeira tarifária verde para o mês de abril, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) avalia a decisão com cautela.
Segundo o coordenador de Mercado de Energia da entidade, Sérgio Pataca, a manutenção da bandeira ocorre em um momento de transição no regime hidrológico. De acordo com ele, o início do período seco no Sudeste, região que concentra os principais reservatórios do país, reduz a reposição de água e exige atenção quanto à evolução dos níveis nos próximos meses.
De acordo com a Aneel, a decisão de manter a bandeira verde ocorre porque o Brasil ainda apresenta condições favoráveis para a geração de energia, com níveis satisfatórios dos reservatórios e menor necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado.
No entanto, Pataca faz um alerta para a chegada do fenômeno El Niño, que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e impacta de forma diferente as regiões brasileiras.
“Há tendência de redução das chuvas no Nordeste e aumento no Sul, o que pode contribuir para a recuperação dos reservatórios da região Sul, atualmente abaixo da média histórica.”
Por outro lado, o fenômeno também deve provocar temperaturas acima do normal durante o outono, elevando a demanda por energia elétrica, especialmente pelo maior uso de ar-condicionado. A combinação entre o aumento do consumo e o período seco no Sudeste pode pressionar o sistema e alterar o cenário nos próximos meses, segundo a FIEMG.
Manutenção da bandeira verde
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira, 27, a bandeira tarifária verde para o mês de abril, patamar vigente desde janeiro deste ano. Com as condições favoráveis à geração de energia no País, até o momento, os consumidores não terão o valor adicional nas faturas no próximo mês.
Para a segunda metade do ano de 2026 é vislumbrado o acionamento de bandeiras com cobrança adicional para os consumidores, com o período seco. Como o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou, a possibilidade de El Niño no segundo semestre deste ano, com seu efeito no aumento das temperaturas e redução das chuvas no Norte e Nordeste do País, reforça essa perspectiva de bandeiras tarifárias mais caras ao longo do ano.
Com o volume de chuvas em março, há nível considerado satisfatório para os reservatórios das usinas hidrelétricas. Isso resulta na geração favorável de energia. O último boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) apresenta um cenário de Energia Armazenada (EAR) acima de 90% para os subsistemas do Norte e Nordeste. Já para a divisão Sudeste/Centro-Oeste, que concentra 70% dos reservatórios do país, o EAR está em 69,7%. O Sul é o subsistema com a estimativa mais baixa e pode chegar a 27,9%.
Houve um aumento no volume de chuvas em fevereiro, resultando na elevação do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Em janeiro, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) anunciou um conjunto de ações consideradas preventivas para o atendimento eletroenergético de 2026, tendo em vista os alertas sobre armazenamento de hidrelétricas.
Além do risco hidrológico (GSF), gatilho para o acionamento das bandeiras mais caras, outro fator de peso é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) – valor calculado para a energia a ser produzida em determinado período.
*Com informações de Agência Brasil
