PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Banda que teve disco censurado na ditadura será indenizada pelo Estado

Siga no

(Foto: Sarah Quines / Reprodução | Youtube / Reprodução)

Compartilhar matéria

O grupo musical pernambucano Ave Sangria, que teve um disco censurado pela ditadura militar, em 1974, será indenizada pelo Estado brasileiro. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última quinta-feira (26).

Uma das bandas icônicas da psicodelia de Pernambuco, a Ave Sangria teve o voo interrompido pela ditadura militar. Em 1974, a música “Seu Waldir” emplacou nas rádios com uma letra sobre o amor de um homem por outro homem. Por causa da conotação homoafetiva da letra, vista pela ditadura como atentado à moral e aos bons costumes, todos os discos foram recolhidos das lojas. 

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

O baque foi grande: o segundo disco previsto foi cancelado pela gravadora, a banda acabou se desfazendo e só voltou nos anos 2010.

Segundo o conselheiro da Comissão de Anistia, Manoel Moraes, o processo reuniu provas das perseguições sofridas pelos músicos do grupo, o que levou à indenização vitalícia de R$ 2.000 por mês, mais o retroativo desde a data do protocolo. Para ele, os valores não reparam os danos causados pela ditadura militar à banda. 

“A interrupção da carreira deles é um dano irreparável. Então, na verdade, o que aconteceu aqui foi o reconhecimento público e o pedido de desculpas pelos atos de exceção praticados contra esses integrantes e contra a cultura popular, disse Moraes. 

O conselheiro lembrou que a música deles buscava construir uma alternativa crítica a tudo aquilo que a sociedade na época vivia, que era o cerceamento da liberdade, a falta de democracia.” 

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo Marco Polo, vocalista e compositor da Ave Sangria, a notícia da anistia trouxe emoção e alívio. 

“Embora eu achasse que aquele episódio já estava soterrado, no fundo talvez ainda sentisse um pouco do trauma que foi a proibição do nosso disco e que levou à destruição da banda. É claro que não temos mais a juventude de volta, nem o dinheiro que ganharíamos se tivéssemos continuado com a carreira, mas mesmo assim é uma boa notícia saber que haverá uma remuneração econômica.” 

Em 2019, a Ave Sangria lançou o segundo disco, 45 anos depois do primeiro, com Marco Polo e Almir de Oliveira da formação original. Almir comenta a sensação de justiça feita. 

“E retornamos aos palcos depois de tanta emoção, aliviados de tudo isso que aconteceu. A reparação financeira é importante. Porém, esse reconhecimento dos danos causados e a justiça que foi feita é o nosso maior legado neste momento. Deixo aqui um abraço para todos e todas vocês, e a certeza de que a democracia deve ser preservada agora e para sempre, para que novos episódios como esse não venham causar tantos danos ao povo brasileiro.” 

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Em 2023, a Ave Sangria se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Recife.

Compartilhar matéria

Siga no

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Entretenimento

Vanessa da Mata palestra em Harvard sobre cultura e transformação social

Céline Dion completa 58 anos e prepara retorno aos palcos

Após 11 anos, Rush volta aos palcos no Juno Awards 2026

Banda anuncia saída de Melissa Reese antes da turnê que passa por nove cidades brasileiras

Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, lança primeiro álbum de jazz com turnê global

BTS confirma três shows no MorumBIS em outubro; veja preços e datas de venda

Últimas notícias

Lula sanciona aumento gradual da licença-paternidade no Brasil: veja o calendário

Amanda Bynes planeja retorno a Hollywood após transformação aos 40 anos

Durigan pede à Receita fim das declarações do IR, com substituição por validação de dados

Figurino de Henri Castelli pega fogo na Paixão de Cristo em SP

Medicamentos podem ter reajuste de até 3,81% a partir desta terça

Trump sinaliza fim da guerra e mercado reage

Patinetes elétricos voltam a BH com desafios

Café segue firme e produtor mantém cautela

Crescimento com crédito perde força no Brasil