O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) completa um ano à frente da Prefeitura de Belo Horizonte nesta sexta-feira (3/4). O período combina desafios em áreas como mobilidade e infraestrutura com a aposta em projetos de maior visibilidade, como o plano de revitalização da região central e a volta do turismo náutico na Lagoa da Pampulha.
Ao longo dos últimos 12 meses, a gestão também reuniu iniciativas como a municipalização do Anel Rodoviário, a implantação da gratuidade no transporte coletivo aos domingos e feriados e a realização de um Carnaval de grande porte na capital. Veja abaixo os principais acontecimentos do um ano de gestão de Álvaro Damião.
Prefeitura assume gestão do Anel Rodoviário
Sonho do ex-prefeito Fuad Noman, a municipalização do Anel Rodoviário foi um dos principais movimentos da gestão de Álvaro Damião. A transferência da responsabilidade do Governo Federal para a prefeitura foi formalizada em junho do ano passado e tratada como um avanço após tentativas anteriores sem sucesso.
Segundo Damião, a mudança passou a permitir que o município tenha mais autonomia para intervir em problemas recorrentes da via, como manutenção, obras e gestão do tráfego. Ele também destacou que a medida dá continuidade a articulações iniciadas na gestão anterior, com participação direta em negociações em Brasília.
Viagem a Israel é marcada por episódio de tensão
Durante agenda oficial em Israel, em junho do ano passado, o prefeito viveu um momento de tensão ao precisar se abrigar em um bunker após o acionamento de sirenes de alerta durante um episódio de bombardeio envolvendo o Irã.
Damião relatou que foi acordado de madrufada com o som dos alarmes e seguiu os protocolos de segurança orientados previamente, deslocando-se até o abrigo. Segundo ele, apesar do susto, as pessoas no local demonstravam tranquilidade diante da situação.
A viagem tinha como objetivo conhecer modelos de segurança pública aplicados no país, com foco em tecnologias e estratégias que possam ser adaptadas à realidade da capital mineira.
Gratuidade nos ônibus aos domingos, mas tarifa zero é barrada
A implementação da tarifa zero no transporte coletivo aos domingos e feriados passou a valer como parte do programa “Catraca Livre”, contemplando linhas convencionais e suplementares em Belo Horizonte.
Para utilizar o benefício, passageiros com o cartão BHBus precisam apenas validar o embarque normalmente, sem cobrança. Já quem não possui o cartão pode acessar os ônibus com liberação manual da catraca pelos motoristas.
Segundo dados da prefeitura, cerca de 190 mil pessoas utilizam o transporte público aos domingos. A medida busca ampliar o acesso a deslocamentos para lazer, visitas e circulação pela cidade.
Apesar da iniciativa, o prefeito Álvaro Damião já se posicionou contra a ampliação da gratuidade para todos os dias da semana, como previa um projeto de Tarifa Zero em tramitação na Câmara Municipal. Segundo ele, a proposta não é viável financeiramente para o município, o que levou a gestão a adotar um modelo mais restrito, limitado a datas específicas.
Passeios na Pampulha são retomados após décadas
A retomada da navegação na Lagoa da Pampulha marcou o retorno de uma atividade turística após quase 60 anos. O catamarã “Capivarã” passou a operar com saídas a partir do Centro de Atendimento ao Turista, percorrendo pontos tradicionais do conjunto arquitetônico.
O trajeto inclui locais como a Igrejinha da Pampulha, a Casa do Baile, a Casa Kubitschek e o Iate Clube. Durante o passeio inaugural, foi possível observar melhora no aspecto da água, com coloração mais clara em comparação a anos anteriores.
A iniciativa está associada a ações de recuperação ambiental e à tentativa de revalorizar um dos principais cartões-postais da cidade.
Carnaval registra números expressivos e alta movimentação econômica
O Carnaval 2026 foi apontado pela prefeitura como uma das maiores edições já realizadas na cidade. Ao longo de 23 dias, foram registrados 457 desfiles de blocos e a presença de cerca de 6,6 milhões de pessoas nas ruas.
A movimentação econômica foi estimada em R$ 1,4 bilhão, com impacto direto em setores como hotelaria, comércio e serviços. A taxa média de ocupação dos hotéis chegou a 83,5%, com picos próximos de 100% na região Centro-Sul.
Também houve geração de aproximadamente 25 mil empregos diretos e indiretos. Entre trabalhadores informais, ambulantes relataram faturamento médio de cerca de R$ 3 mil por dia durante o período. Dados oficiais ainda apontam redução nos índices de criminalidade durante a festa.
Patinetes elétricas voltam a circular na capital
Mais recentemente, as patinetes elétricas compartilhadas voltaram a operar em regiões como Centro, Centro-Sul e Oeste de Belo Horizonte. O serviço é acessado por meio de aplicativo, com pagamento via cartão ou Pix e tarifas que variam conforme horário e demanda.
O desbloqueio dos equipamentos custa entre R$ 2 e R$ 3, enquanto o valor por minuto pode variar de R$ 0,49 a R$ 0,99. A circulação é permitida em ciclovias, ciclofaixas, áreas de pedestres, com restrições de velocidade, e vias com limite de até 40 km/h.
A prefeitura também prevê ações educativas, com orientação aos usuários sobre o uso correto e seguro dos equipamentos, especialmente nos primeiros dias de operação. Apesar de seguir regras mais rígidas, as patinetes têm sido alvo de depredação e até já causaram acidentes na cidade.
Revitalização do Centro
Na última semana, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em primeiro turno, um Projeto de Lei da Prefeitura de Belo Horizonte que altera regras de construção na região do Centro. A proposta, enviada pelo prefeito, ainda depende da análise de emendas antes da votação final.
O texto prevê a criação da Operação Urbana Simplificada (OUS) para estimular a reocupação e modernização de bairros como Centro, Lagoinha, Floresta e Santa Efigênia. Entre as medidas estão incentivos fiscais, como isenção de IPTU, ITBI e taxas de construção, além da ampliação do potencial construtivo, permitindo edifícios mais altos, uma das apostas da gestão.
Segundo a prefeitura, a expectativa é viabilizar cerca de 17 mil novas moradias ao longo de 12 anos. Parte dos vereadores, no entanto, critica a baixa previsão de unidades destinadas à habitação de interesse social, diante do déficit habitacional da cidade.
