Com a inflação voltando a subir e a guerra no Oriente Médio pressionando os combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira (29/4) o novo patamar da taxa Selic, principal referência de juros do país. O mercado aposta em um novo corte, mas o cenário é de incerteza.
Expectativa é de nova queda da Selic
Atualmente em 14,75% ao ano, a taxa básica pode ser reduzida para 14,5%, segundo projeções do mercado financeiro. A decisão marca a terceira reunião do Copom em 2026 e pode consolidar um ciclo de queda dos juros, iniciado após a Selic atingir 15%, o maior nível em quase duas décadas.
Inflação sobe e complica cenário
Apesar da expectativa de corte, o avanço da inflação coloca pressão sobre o Banco Central.
A prévia do índice oficial (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril, puxada principalmente por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,37%.
A projeção para 2026 também piorou. Segundo o boletim Focus, a estimativa subiu para 4,86%, acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Guerra no Oriente Médio influencia decisão
O conflito internacional é um dos principais fatores de risco no cenário atual. O Banco Central já indicou que a trajetória da Selic dependerá da evolução desse quadro.
Na ata da última reunião, o Copom evitou sinalizar novos cortes e afirmou que o ritmo de ajustes será definido “ao longo do tempo”, conforme novas informações forem incorporadas.
Copom decide com equipe incompleta
A reunião desta semana ocorre com desfalques na diretoria do Banco Central. Dois cargos seguem vagos desde o fim de 2025, e outro diretor está ausente por motivo pessoal.
Mesmo assim, o colegiado mantém o calendário regular de decisões sobre juros, que ocorrem a cada 45 dias.
