O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros para 14,50% ao ano e manteve cautela diante da inflação acima da meta. O Comitê de Política Monetária aponta que os preços seguem pressionados e que as expectativas para 2026 e 2027 continuam elevadas, em 4,9% e 4,0%. O cenário externo, com conflitos no Oriente Médio, aumenta a incerteza e afeta commodities e custos no país.
O colegiado afirma que a atividade econômica desacelera, mas o mercado de trabalho ainda resiste. A decisão considera risco de alta da inflação com câmbio e petróleo, além de possíveis quedas com desaceleração global. O Banco Central indica que novos cortes dependem da evolução desses fatores.
Fiemg vê risco econômico com queda da Selic
Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o cenário de incertezas no ambiente interno e externo e a decisão do Copom podem aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica, com impactos negativos sobre emprego e renda.
A entidade afirma que, embora o controle da inflação seja essencial para a estabilidade econômica, a manutenção de juros elevados por um período prolongado preocupa o setor produtivo. Projeções do boletim Focus indicam revisão para cima das expectativas da Selic ao fim de 2026 e apontam que a taxa deve permanecer em dois dígitos, em nível restritivo, ao menos até 2028.
A FIEMG avalia que esse cenário pode intensificar efeitos já observados na economia, como a retração dos investimentos, o encarecimento do crédito, o aumento dos custos de produção e a perda de competitividade da indústria.
A entidade defende uma política monetária mais equilibrada, que concilie o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico e à indústria nacional. Também destaca a importância de considerar os efeitos defasados das medidas já adotadas pelo Banco Central e o atual nível restritivo dos juros, para evitar impactos desproporcionais sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho.
