A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado marcou um novo momento na relação entre os Poderes. Para o cientista político Rodrigo Lopes, o episódio desta quarta-feira (29/4), representa o ponto mais crítico entre o poder Executivo e o poder Legislativo, desde o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Na avaliação dele, o governo sofreu uma derrota ao insistir na indicação de Messias. “O governo quis dobrar a aposta e perdeu. Perde uma indicação, perde uma oportunidade de ter mais um ministro indicado”, disse. Ele também destacou que o cenário obriga o Executivo a retomar negociações. “Agora vai ter que voltar e negociar de novo, com novas moedas em mãos, porque as que foram colocadas na mesa não foram suficientes.”
O especialista pondera que o resultado não representa necessariamente um avanço institucional. “Ninguém ganha com essa história. Pode parecer que o Senado ganhou, mas não é uma vitória técnica. É a famosa vitória do meu interesse primeiro”, afirmou. Para ele, a população também é impactada negativamente. “O brasileiro muito menos ganha, porque fica vendo esse espetáculo como uma novela.”
Outro ponto destacado foi a ausência de critérios técnicos no processo. “A gente entende que não há uma escolha técnica nem em indicar, nem em vetar, o que é um grande problema para o país”, disse.
Rodrigo Lopes também avalia que a condução do episódio expõe fragilidades nas relações institucionais. “A forma como todo o processo foi conduzido, de forma muito explícita, mostra a deterioração da política brasileira, cada vez menos republicana e mais baseada em interesses”, concluiu.
