Um tribunal de Israel decidiu prorrogar por mais dois dias a prisão preventiva do ativista brasileiro Thiago Ávila, detido após participar de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza.
A decisão foi confirmada por um porta-voz da corte neste domingo (03/5) e também vale para o ativista espanhol Saif Abu Keshek. Com isso, os dois permanecem presos ao menos até o dia 5 de maio.
Interceptação em águas internacionais
Ávila e Keshek foram detidos na noite da última quarta-feira (29/4), após a embarcação em que estavam ser interceptada por forças israelenses em águas internacionais, próximas à Grécia.
Segundo relatos, mais de 100 ativistas que participavam da missão foram levados para a ilha de Creta, enquanto os dois foram transferidos para território israelense.
O grupo integrava a segunda flotilha chamada “Global Sumud”, que partiu de Barcelona em 12 de abril com o objetivo de levar ajuda humanitária à população de Gaza e contestar o bloqueio naval imposto por Israel.
Acusações feitas por Israel
As autoridades israelenses pediram inicialmente a prorrogação da prisão por quatro dias, com base em suspeitas como:
- Auxílio ao inimigo em tempo de guerra
- Contato com agente estrangeiro
- Participação ou apoio a organização considerada terrorista
- Transferência de recursos a grupo classificado como terrorista
As acusações foram mencionadas pela organização de direitos humanos Adalah, que acompanha o caso e presta apoio à defesa.
Defesa fala em ilegalidade
A advogada dos ativistas afirma que eles negam todas as acusações e sustenta que a prisão é ilegal, alegando falta de jurisdição por parte de Israel.
Segundo ela, a missão tinha caráter exclusivamente humanitário, sem qualquer vínculo com grupos armados.
Relatos de maus-tratos
A defesa também relatou que os dois teriam sido submetidos a violência durante o transporte até Israel.
De acordo com a advogada, Ávila e Keshek permaneceram algemados e vendados até a manhã do dia seguinte à detenção.
O Exército israelense não se manifestou oficialmente sobre essas acusações até o momento.
Reação de Brasil e Espanha
Os governos de Brasil e Espanha divulgaram uma nota conjunta na sexta-feira (1º), classificando a detenção como ilegal.
As autoridades dos dois países também acompanham o caso por vias diplomáticas.
Posição de Israel
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que não permitirá a violação do bloqueio naval à Faixa de Gaza e classificou os organizadores da flotilha como “provocadores profissionais”.
Segundo o governo israelense, a medida faz parte de uma política de segurança para impedir o envio de materiais que possam ser utilizados por grupos armados no território.
Contexto do bloqueio a Gaza
O bloqueio à Faixa de Gaza é mantido por Israel há anos e é alvo de críticas de organizações internacionais, que apontam impactos humanitários na região.
Por outro lado, o governo israelense argumenta que a medida é necessária para conter ameaças à sua segurança.