A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa, atribuiu a virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado à mobilização de jovens, estudantes e movimentos sociais durante o segundo turno das eleições. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (26/10), na sede do PT, um dia após a reeleição do presidente para o quarto mandato, ela afirmou que a campanha intensificou a atuação nas ruas e nas redes sociais para reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Eu realmente acreditava na virada, mas não pensava que seria dessa forma estrondosa, como nós tivemos quatro milhões à frente”, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (26/10).
Em Minas Gerais, Lula venceu com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio. O estado havia dado a vitória ao senador no primeiro turno.
Mobilização nas universidades
Segundo a deputada eleita, a campanha identificou a necessidade de mobilizar eleitores, especialmente estudantes universitários, para reduzir a abstenção no segundo turno. E percebeu também dificuldades de participação entre estudantes que mudaram de cidade para cursar o ensino superior. A partir disso, apoiadores passaram a organizar iniciativas para facilitar o comparecimento às urnas.
Ela citou a oferta de caronas solidárias, arrecadações coletivas e a participação de movimentos estudantis como exemplos da mobilização.
“Os estudantes aqui em Minas e quase em todos os estados protagonizaram essas eleições, o segundo turno das eleições, trazendo o povo para a rua”, disse, destacando também o comparecimento de eleitores idosos.
Rua e redes sociais
Ana Elisa avaliou que a campanha conseguiu aproximar a mobilização presencial da atuação digital. Segundo ela, a esquerda havia perdido espaço nas redes sociais e precisava recuperar a capacidade de dialogar com os eleitores.
“A rua, por sua vez, era nossa. Nós que perdemos o costume de ir para as ruas, e aí também ficamos sem rede social”, afirmou.
A deputada eleita destacou a atuação de influenciadores, movimentos estudantis e apoiadores nas plataformas digitais. Para ela, o resultado não pode ser atribuído exclusivamente à comunicação oficial do presidente.
“O movimento da rede se deu muito por conta da rua e a rua se deu muito por conta da rede. Foi uma união que, no final do dia, não se separa”, declarou.
Ana Elisa também elogiou a disposição de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin para ouvir sugestões de lideranças jovens e adaptar a estratégia eleitoral.