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Chico Felitti detalha bastidores de ‘A Síndica’ e o pavor de moradores da ex-gestora do Edifício JK

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Chico Felitti expõe bastidores de "A Síndica" e a "ditadura" de 42 anos no Edifício JK. (Foto: Portal Belo Horizonte/Luiz Lage/Reprodução)

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Em entrevista exclusiva ao programa Buenos Dias, da Rede 98, o jornalista Chico Felitti detalhou os bastidores de sua mais nova investigação, o podcast “A Síndica”. A produção mergulha na controversa trajetória de Maria Lima das Graças, a “Doutora Graça”, que governou o icônico Edifício JK, em Belo Horizonte, com “mãos de ferro” por mais de quatro décadas. Felitti explicou que o projeto nasceu da necessidade de entender como uma única mulher conseguiu manter um controle absoluto sobre o maior condomínio de Minas Gerais, impondo regras que iam de pagamentos exclusivamente em dinheiro vivo à proibição de animais de estimação tocarem o chão das áreas comuns.

A apuração de três anos desenterrou episódios que confrontam as leis brasileiras, especialmente no controle moral exercido sobre os condôminos. “Uma moça foi morar com um amigo gay e a síndica obrigou eles a assinarem um termo de união estável. São regras tiradas da cabeça dela, que nem sempre concordam com a Constituição”, exemplificou Felitti. Além do controle comportamental, a gestão era marcada pela judicialização agressiva, com o caso de uma candidata que sofreu 66 ameaças de processo em poucas semanas, além do trágico assassinato de um opositor nas proximidades do edifício.

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Da vigilância ao alívio dos moradores

Durante a investigação, que durou três anos, Felitti enfrentou o silêncio e o pavor dos condôminos. “A primeira vez que me encontrei com moradores foi de madrugada, no salão de festas, e estava todo mundo de capuz, de tanto medo que tinham da síndica e dos funcionários contar pra ela que eles estavam falando dela”, revelou o jornalista em entrevista à Rede 98. Segundo Chico, Maria das Graças utilizava o departamento jurídico do próprio edifício para processar e intimidar qualquer pessoa que ousasse questionar sua conduta ou levantar suspeitas sobre a administração.

O impacto da gestão de “mãos de ferro” deixou marcas físicas e financeiras no condomínio, como o caso da moradora que protestou contra a exigência de dinheiro vivo pagando o boleto com 15 quilos de moedas. Relembrando episódios como a morte de um opositor no quarteirão do prédio, Felitti explicou que a obra não é apenas uma denúncia, mas um registro que ouviu mais de 100 pessoas. “A nossa ideia sempre foi contar a história inteira, contar todos os lados”, afirmou o jornalista, destacando que incluiu no relato defensores da ex-síndica que acreditam que sua rigidez salvou o JK da degradação.

O primeiro episódio do podcast está disponível nas principais plataformas de áudio. Outros quatro capítulos chegam ao público semanalmente, sempre às quartas-feiras. “A Síndica” sucede “O Síndico” — que tratava de uma temática semelhante em São Paulo — e consolida Chico Felitti como um cronista de conflitos e peculiaridades de grandes condomínios brasileiros.

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Gustavo Macedo

Jornalista graduado pela PUC Minas em atividade na Rede 98 desde 2023

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