Bronca da geladeira, sermão do pão e conselho da banana. Se antes a culpa batia depois de comer besteira, agora ela vem antes, e direto da tela do celular. Vídeos de frutas, legumes e objetos falantes, feitos com IA, com cara emburrada e tom de professor cansado, viraram febre nas redes sociais e estão dando o que falar.
Na trend, itens comuns do dia a dia ganham olhos, boca, voz e muita opinião. A banana não quer ir para o lixo, o pão reclama do frio excessivo e a cebola não quer ser esquecida na geladeira. Tudo isso embalado por um humor ácido, frases curtas e aquele tom de sermão que só nossas mães sabem dar.
A fórmula não é exatamente nova (quem não lembra da laranja irritante, sucesso dos anos 2000?), mas ganhou turbo com ferramentas de inteligência artificial que facilitam a animação, a dublagem e até as expressões faciais. Em poucos cliques, o que era inanimado vira personagem cheio de personalidade, pronto para dar lição de moral, dica doméstica ou puxão de orelha ecológico.
O resultado são vídeos curtos, rápidos e fáceis de compartilhar, que misturam entretenimento com “ensinamento”.
O sucesso foi tanto que já existem perfis dedicados exclusivamente a dar voz a alimentos e objetos. A geladeira vira vilã, a esponja desabafa sobre excesso de trabalho e até a pasta de dente parece cansada de ser apertada do meio. Nos comentários, o público se divide entre quem acha fofo, quem ri da bronca inesperada e quem leva as dicas a sério.
Como fazer objetos falantes?
O primeiro passo para transformar um objeto comum em protagonista é criar sua aparência. Ferramentas de geração de imagens por IA permitem que o usuário descreva, em texto, como deseja o resultado final. Detalhes como iluminação, textura e, principalmente, expressão facial fazem diferença no impacto do vídeo.
Uma banana pode parecer simpática ou completamente irritada; um pão pode assumir um ar dramático ou sarcástico. Quanto mais clara for a descrição, maior a chance de o personagem transmitir a emoção certa já no primeiro segundo do vídeo.
Exemplo de prompt a ser usado: “Crie um vídeo curto, de aproximadamente 10 segundos, com uma banana animada, em estilo realista. A banana deve ter olhos e boca expressivos, com aparência levemente irritada e tom bem-humorado. A banana fala em português, com voz masculina, em tom de bronca divertida, olhando diretamente para a câmera. Texto da fala: “Ei! Eu não sou lixo. Se eu escureci, é porque virei adubo em potencial. Me respeita e me leva pra compostagem!”. A animação deve sincronizar bem a boca com a fala, com expressões faciais exageradas e leves movimentos de cabeça. Fundo simples, iluminação suave e foco no personagem”.
Depois da imagem, a voz
Com a imagem pronta, entra em cena a etapa que dá vida ao objeto. Plataformas de síntese de vídeo e voz transformam figuras estáticas em personagens animados, com movimento de boca, expressões faciais e dublagem automática. O resultado são vídeos curtos em que frutas e utensílios parecem realmente conversar com o público.
Nessa fase, o texto da fala precisa ser direto. Os criadores costumam optar por roteiros de 8 a 12 segundos, especificando o idioma, o tom da voz e até se ela deve soar mais séria, divertida ou impaciente. É justamente esse cuidado que garante o efeito cômico, ou educativo, que fez a trend explodir.
Edição final
Depois de animado, o vídeo passa pela edição final. Aplicativos de edição ajudam a ajustar o ritmo, incluir efeitos sonoros discretos e, principalmente, adicionar legendas, fundamentais para manter a atenção de quem assiste sem som.
Também é nessa etapa que o conteúdo ganha cara de rede social, com cortes rápidos e formato vertical. Muitos criadores optam pelos próprios editores do TikTok e do Instagram Reels, que facilitam ajustes e publicação imediata.
