A captação de investimentos privados por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) consolida-se como um caminho essencial para aliviar a pressão fiscal sobre os cofres estaduais e modernizar a infraestrutura. Em entrevista durante o Imersão Indústria 2026, realizado pelo Sistema FIEMG com correalização da CNI no BH Shopping, o diretor de concessões e parcerias da Codemge, Gabriel Fajardo, analisou o impacto desses modelos para desonerar o estado e reduzir os custos logísticos.
Fajardo lembrou que os instrumentos de contratualização ganharam força no país na década de 1990 e continuam indispensáveis diante dos severos gargalos que persistem nas contas públicas. Minas Gerais, com sua marcante sensibilidade fiscal, utiliza as parcerias como ferramenta para viabilizar obras de longo prazo sem comprometer o fluxo de caixa do governo estadual.
“A inauguração do regime de concessões e posteriormente de parcerias público-privadas veio para que a gente pudesse desonerar o custo do estado e trazer a iniciativa privada para dar conta dos diversos gargalos logísticos de infraestrutura que nós temos”, disse Gabriel Fajardo.
Pioneirismo mineiro e expansão para o setor social
Minas Gerais se destaca nacionalmente pelo histórico de pioneirismo na legislação e na estruturação de projetos estaduais. O estado assinou nos últimos oito anos mais contratos do que nos 20 anos anteriores, somando atualmente oito concessões rodoviárias reguladas e fiscalizadas por uma agência própria de transportes.
“Nós temos a primeira lei de parceria público-privada, mesmo antes da lei federal e as primeiras experiências de contratualização de forma muito disruptiva aconteceram em Minas”, disse Fajardo.
A expansão do modelo também alcançou as chamadas PPPs sociais nas áreas de saúde e educação. A gestão estadual viabilizou, portanto, contratos para reforma e manutenção de 95 escolas nas regiões Metropolitana de Belo Horizonte e do Norte de Minas, além da estruturação do complexo hospitalar do HOPE.
“Não adianta eu fazer uma concessão de uma, duas, três escolas, porque eu tô falando de um volume de investimentos que precisa justificar um contrato de longo prazo”, disse o diretor de concessões da Codemge.
