A manutenção da bandeira tarifária verde em novembro representa um alívio para os consumidores, mas ainda não afasta as preocupações com o abastecimento de energia no país. A avaliação é de Sérgio Pataca, coordenador de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em entrevista durante a 9ª edição do Imersão Indústria 2026.
Segundo o especialista, a continuidade da bandeira verde está relacionada à melhora no volume de chuvas registrada desde setembro. No entanto, a elevação das temperaturas e a possibilidade de períodos mais espaçados de precipitação exigem atenção ao longo dos próximos meses.
Pataca também chama a atenção para o nível dos reservatórios da região Sudeste, principal sistema de armazenamento de água para a geração hidrelétrica do país. De acordo com os dados apresentados por ele, o volume estava em torno de 55% da capacidade, patamar semelhante ao registrado no início de abril.
“Se a gente olhar para os reservatórios em si, o Sudeste, que é o principal reservatório aqui do Brasil, ele ainda não está em parâmetros muito positivos”, afirmou.
Chuvas precisam atingir regiões estratégicas
Para o coordenador da Fiemg, a recuperação dos reservatórios depende não apenas da quantidade de chuva, mas também de onde ela ocorre. As precipitações precisam alcançar as bacias hidrográficas que abastecem as principais usinas hidrelétricas.
A expectativa é que os níveis de armazenamento avancem nos próximos meses. Pataca cita a necessidade de elevar o volume atual de 55% para patamares entre 65% e 75%.
“Tem que chover no lugar certo, chover perto das bacias hidrológicas para realmente encher esse reservatório”, explicou.
