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Após 14 anos, Millwall e West Ham voltam a fazer clássico que inspirou o filme ‘Hooligans’

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Após 14 anos, Millwall e West Ham voltam a se enfrentar na Inglaterra. Clássico tem histórico violento e inspirou o filme "Hooligans". | Foto: Reprodução/Millwall

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Millwall e West Ham voltam a se encontrar neste sábado (19/9), às 8h30 (horário de Brasília), em um clássico, após 14 anos sem se enfrentarem. As equipes são conhecidas por protagonizarem um dos confrontos mais violentos do futebol mundial, com o foco, normalmente, voltado para as brigas entre as torcidas e não para o futebol jogado.

A violência histórica foi tanta que chegou a ser retratada no audiovisual: o filme “Hooligans”, de 2005, mostra a rivalidade sangrenta entre os hooligans dos dois clubes, sendo diretamente inspirada na inimizade real e extrema entre a Inter City Firm (do West Ham) e os Bushwackers (do Millwall).

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O embate deste sábado, válido pela EFL Championship (a segunda divisão inglesa), será o 100º duelo oficial na história da rivalidade. O último jogo aconteceu em fevereiro de 2012 e terminou com uma vitória por 2 a 1 para o West Ham. Atualmente, o West Ham chega melhor para o confronto, já que, após sete rodadas da liga, o time se encontra na liderança do torneio com 14 pontos. Enquanto isso, o Millwall está na 11ª colocação, com 10 pontos nos mesmos sete jogos. No entanto, a equipe terá a vantagem de jogar em seu estádio neste confronto, o The Den.

Histórico violento do clássico

A história da rivalidade começou no final do século XIX, quando os dois times nasceram de empresas navais rivais: a Thames Ironworks (West Ham) e a J.T. Morton (Millwall). Tudo se consolidou quando, durante históricas disputas trabalhistas, alguns operários ligados ao embrião do Millwall furaram uma greve. Esse episódio instaurou um rancor territorial profundo entre os trabalhadores, sentimento que se estendeu das docas para as arquibancadas.

O que começou como uma rixa de operários se transformou no maior símbolo do hooliganismo britânico. Entre os anos 1970 e 1980, as temidas facções das duas torcidas, a Inter City Firm, do West Ham, e os Bushwackers, do Millwall, protagonizaram batalhas campais sangrentas, com conflitos que frequentemente terminavam em tragédias dentro e fora dos estádios. Mesmo com a modernização e as leis severas aplicadas no futebol inglês atual, esse ódio visceral resistiu às gerações e se mantém até hoje.

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Assim, o reencontro deste fim de semana mobilizou um verdadeiro aparato de guerra na capital inglesa. As autoridades londrinas e a polícia local impuseram medidas de segurança rígidas para o confronto: para evitar qualquer tipo de emboscada ou conflito pelas ruas, toda a torcida visitante do West Ham será direcionada por um cordão de isolamento até a estação de trem de South Bermondsey, o que limitará rotas e opções de deslocamento nos arredores do The Den.

Representação no audiovisual

Essa tensão histórica foi o que deu força narrativa para o aclamado filme “Hooligans” (Green Street), de 2005. Estrelada por Elijah Wood e Charlie Hunnam, a produção popularizou a mística sombria desse clássico ao acompanhar um jovem americano que, ao ser levado para o submundo londrino, descobre a rotina da fictícia Green Street Elite (GSE), firma baseada diretamente na torcida do West Ham. Para o protagonista, o ambiente onde ele está inserido tem um forte senso de pertencimento e de lealdade incondicional, onde a adrenalina dos confrontos funciona como um vício irresistível, transformando a arquibancada em uma perigosa irmandade.

A grande questão do filme é, justamente, o inevitável encontro e a guerra brutal contra a facção do Millwall, retratado como o arqui-inimigo supremo e implacável. O longa chocou o público por expor a realidade crua e visceral do hooliganismo britânico em seu ápice. A narrativa aborda de forma clara que, para esses grupos extremistas, as emboscadas, a defesa do território e a violência nas ruas importavam muito mais do que qualquer resultado com a bola rolando no gramado.

*Estagiário sob supervisão do coordenador Leandro Cabido

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Rodrigo Samuel

Jornalista em formação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com experiência em redação, trabalha na Rede 98 desde setembro de 2025 e acumula passagens pelas revistas Marta e Universitária 3 (RU3), além do veículo digital Corneteiros TV.

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