O patrocínio de R$ 32 milhões anunciado pelo Governo de Minas, por meio da Cemig e da Codemge, para Atlético, Cruzeiro e América foi alvo de uma representação protocolada no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nessa quinta-feira (2/10). O vereador de Belo Horizonte Wagner Ferreira (Rede) pede a abertura de Notícia de Fato e de Inquérito Civil para apurar o repasse. Ele aponta possíveis irregularidades, entre elas desvio de finalidade, abuso de poder político e econômico, ausência de critérios técnicos e eventual desrespeito à Lei das Estatais.
A representação foi apresentada contra o Governo de Minas e dirigentes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).
O anúncio dos patrocínios foi feito pelo governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD) na terça-feira (29/9), a cinco dias do primeiro turno das eleições.
O acordo prevê R$ 15 milhões para o Atlético, R$ 15 milhões para o Cruzeiro e R$ 2 milhões para o América. O Governo de Minas também informou que mantém negociações com clubes do interior, entre eles Athletic e Uberlândia.
Vereador questiona critérios
Na representação, Wagner Ferreira questiona os critérios utilizados pelas estatais para definir os patrocínios e a proximidade entre o anúncio e a eleição.
O vereador também argumenta que os espaços destinados às marcas nos uniformes ainda não estavam definidos quando o investimento foi anunciado.
“Patrocínio de estatal não é fundo de reserva para entidade privada. A Lei das Estatais exige demonstração clara de retorno mercadológico e fortalecimento da marca, algo que sequer foi definido, já que os espaços nos uniformes nem estavam estabelecidos no momento do anúncio”, afirmou.
Os apontamentos fazem parte da representação apresentada pelo parlamentar e ainda dependem de análise do MPMG.
Governo anunciou acordo após proibição das bets
Ao anunciar os R$ 32 milhões, o Governo de Minas apresentou o patrocínio como uma alternativa financeira para os clubes diante da proibição de empresas de apostas, as chamadas bets, como patrocinadoras.
Segundo o governo estadual, dois parâmetros foram considerados para chegar ao valor. O primeiro foi o montante anteriormente pago pelas casas de apostas aos clubes. Os R$ 32 milhões representam aproximadamente um terço desses valores.
O segundo parâmetro foi o modelo do Rio Grande do Sul, onde o Banrisul patrocina Grêmio e Internacional.
Como o investimento das estatais mineiras é inferior ao valor anteriormente pago pelas bets, Cemig e Codemge não necessariamente ocuparão o espaço de patrocinador master. A previsão apresentada no anúncio é de que as marcas possam aparecer em outras partes dos uniformes, como mangas e ombros.
Mateus Simões também defendeu o investimento pelo impacto econômico do futebol. Segundo o governador, a atividade movimenta recursos, gera empregos e envolve diferentes setores da economia.
Atuação contra publicidade de apostas
Wagner Ferreira já havia acionado a Justiça, em julho, por meio de uma Ação Popular contra a veiculação de publicidade de casas de apostas em equipamentos públicos de Belo Horizonte, eventos patrocinados ou promovidos pela prefeitura e no transporte público.
O vereador também é autor do Projeto de Lei 362/2025, que prevê a proibição da publicidade de bets e jogos de azar no município, e da Lei 11.964, que instituiu o Dia de Conscientização e Enfrentamento ao Vício em Apostas Virtuais e Jogos de Azar.