A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a investigação sobre os ataques com fogos de artifício contra corredores e ciclistas na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Dois adolescentes, ambos de 15 anos, foram identificados como responsáveis por lançar os artefatos em direção a pessoas que praticavam atividades físicas no local.
Segundo a PCMG, os jovens são investigados por atos infracionais análogos ao crime de explosão. O caso foi conduzido pela 3ª Delegacia Especializada de Apuração de Ato Infracional (Deai) e envolve episódios registrados entre abril e maio deste ano.
De acordo com a delegada Carolina Máximo, um dos ataques ocorreu no Mirante do Sabiá, onde cerca de 30 corredores realizavam treinamento quando ocupantes de um carro passaram a disparar fogos em direção ao grupo. Um homem foi atingido nas costas por um dos artefatos.
Apesar de a vítima não ter sofrido ferimentos graves, a delegada destacou que a ação apresentava alto potencial de causar danos sérios.
Durante as investigações, a polícia ouviu as vítimas, os adolescentes e também o proprietário do veículo utilizado, irmão de um dos suspeitos. Conforme a corporação, os relatos foram compatíveis com as provas reunidas, e os adolescentes admitiram participação nos ataques.
Ainda segundo a investigação, os casos não foram isolados. A Polícia Civil identificou outro procedimento semelhante em andamento na região Noroeste de Belo Horizonte, envolvendo uma vítima atingida em circunstâncias parecidas na orla da Pampulha.
Os adolescentes relataram que utilizaram o veículo sem autorização e passaram a lançar os explosivos contra pessoas aleatórias que caminhavam, corriam ou pedalavam na região. Em depoimento, afirmaram que a intenção seria “assustar” as vítimas, além de admitirem episódios semelhantes anteriores.
Para a delegada Carolina Máximo, a conduta ultrapassa qualquer hipótese de brincadeira.
“As apurações demonstraram que a ação teve emprego deliberado de um meio com capacidade concreta de causar lesões graves e até morte, especialmente porque os explosivos eram lançados diretamente contra pessoas sem chance de defesa”, afirmou.
Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil representou pela internação provisória dos adolescentes, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O procedimento foi encaminhado à Vara Infracional da Infância e Juventude, que deverá decidir as próximas medidas.
Caso ganhou repercussão após relato de videomaker
Os ataques na Pampulha ganharam repercussão após o videomaker Thales Generoso denunciar ter sido alvo de um foguete enquanto pedalava pela orla da lagoa, no início de maio.
Segundo ele, o motorista de um carro entrou na contramão e apontou o artefato aceso em direção ao seu rosto. O foguete explodiu segundos depois e, por pouco, não o atingiu.
“Por milagre o foguete demorou a explodir. Quando estourou, já tinha passado um pouco do carro”, contou à imprensa na época.
Após publicar o relato nas redes sociais, outras pessoas afirmaram ter passado por situações semelhantes durante caminhadas, corridas e pedaladas na região da Pampulha, principalmente durante a madrugada.
