Moradores e comerciantes de Belo Horizonte contabilizam os prejuízos da falta de energia elétrica desde o último domingo, após o temporal que atingiu a cidade. A Cemig informa que 95% dos clientes já tiveram o fornecimento restabelecido, mas não deu um prazo de quando o serviço será normalizado nos demais pontos sem energia.
Com a demora na retomada do fornecimento, os prejuízos aumentam, gerando revolta entre os comerciantes que aguardam uma resposta da empresa.
É o caso de Cláudio Mercini, representante da Sodiê Doces. Ele estima um prejuízo de 30 mil reais na loja localizada na Avenida Silviano Brandão, no bairro Horto.
“Nós estamos sem energia desde às 14 horas de domingo. Para você só ter uma ideia, eu tive um prejuízo até agora, nós estamos calculando, por volta de 30.000 reais. Eu tive que contratar um gerador para manter os produtos para a gente não perder o pouco que restou, tá? Então assim, tô pagando, por dia, por 10 horas, 3.000 reais. Eu tenho comerciantes aqui na região, muito restaurante, que jogou quilos e quilos de carne fora. Tem gente acamada, que depende de equipamento médico, também desligado. Correndo risco de vida. Então essa situação tá, tá bem caótica aqui, sabe?” disse.
A proprietária da Cape Town Burger, Scarlet Svetcof, também localizada na Avenida Silviano Brandão, reclama do atendimento e da falta de precisão da Cemig. Desde a interrupção do serviço, no domingo, ela já recebeu três previsões diferentes. O prejuízo é de pelo menos 15 mil reais.
“A gente teve que se mobilizar para tirar o que desse, né? Para salvar a hamburgueria. Mesmo assim a gente teve muito prejuízo. De molho, base de milkshake, saladas, toda produção que já estava pronta, né? Que estava em geladeira e não em freezer, a gente acabou perdendo tudo isso. Então é uma situação assim bem frustrante, porque a gente não tem um retorno concreto, e a gente não consegue falar com atendimento da Cemig. Enfim, a gente abriu um chamado no Reclame Aqui, a gente abriu um chamado na ouvidoria, mas sem nenhum retorno. O WhatsApp é totalmente robótico, a gente não consegue nem uma nova previsão, a gente não consegue nada. A gente estima aí um prejuízo de entorno de 15 mil reais até o momento” afirmou a dona da empresa.
Moradores de um condomínio na Rua Maranhão, na Savassi, também enfrentam problemas com a falta de energia. O fornecimento foi restabelecido em alguns prédios, mas dois continuam sem eletricidade, sendo um deles comercial. À Rede 98, a síndica relatou que o prédio residencial tem vários moradores com mais de 60 anos, o que dificulta a locomoção dentro do condomínio.
O morador do bairro Floresta, Sebastião, já perdeu alimentos armazenados em casa e precisa ir até o carro para carregar o celular.
“Nós já perdemos tudo que era da geladeira, como meus vizinhos também. A banca de revista perdeu todos os picolés que derreteram. Tem a cafeteria, que é aqui do lado, também tá sendo seus prejuízos. Nós estamos no prejuízo. Para carregar o telefone, eu tenho que descer 10 andares para ir lá no carro para carregar meu telefone. Então assim, o que tá acontecendo conosco é muito inviável. Eu moro aqui há 37 anos.Já teve muita tempestade, já teve muita tempestade, mas nunca ficamos 5 horas sem energia” relatou o morador.
A Rede 98 entrou em contato com a Cemig para obter esclarecimentos sobre a falta de energia nos locais citados na reportagem e aguardamos retorno.
Anteriormente, a empresa informou que mais de 32 mil consumidores estavam sem energia elétrica em Minas Gerais até a madrugada desta terça-feira. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, eram cerca de 17 mil unidades sem fornecimento, das quais mais de 8 mil na capital.
