A Prefeitura de Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, decidiu romper o contrato com a Copasa depois que bairros da cidade ficaram oito dias sem água. “Nós temos moradores que moram a 500 metros do reservatório sem água na casa deles”, afirmou o prefeito Renilton Coelho em entrevista exclusiva à 98 News nesta quarta-feira (14/10).
O reservatório citado pelo prefeito é o de Serra Azul, que fica em grande parte no território de Mateus Leme e ajuda a abastecer a Grande BH. Mesmo assim, a prefeitura leva água em caminhão-pipa a cinco bairros que não têm rede de abastecimento. “São bairros grandes, consolidados”, afirmou.
“Desde o início do mandato, a gente tem visto reclamação da população com o péssimo serviço da Copasa”, disse Renilton Coelho, que está há cinco anos e dez meses no cargo. O contrato foi assinado em 2010, com validade de 30 anos, e previa metas e prazos de investimento. Segundo o prefeito, esses prazos foram revistos em 2018 e também venceram sem que as obras fossem feitas.
De acordo com o prefeito, a Copasa atribuiu a falta de abastecimento ao aumento do consumo durante o calor. Renilton Coelho rejeita a justificativa. “Isso não é um problema de uma semana. São problemas de anos e anos, de falta de solução, de falta de investimento.” Em nota, a companhia informou que tem enviado caminhões-pipa para reduzir o impacto nas regiões afetadas.
O prefeito também citou a CPI aberta na Câmara Municipal e uma ação civil pública do Ministério Público que cobra melhorias no serviço. Há ainda uma decisão judicial que prevê multa diária de R$ 100 mil enquanto faltar água nas casas. “Ela não cumpre nem decisão judicial”, afirmou.
O que muda para os moradores
Por enquanto, nada muda na conta nem na responsabilidade pelo serviço para os moradores de Mateus Leme. Segundo Renilton Coelho, a Copasa é obrigada a continuar operando em Mateus Leme até que a transição seja concluída. “A água é essencial à vida. Ela é obrigada a manter o abastecimento”, disse.
O plano da prefeitura é contratar uma empresa em caráter emergencial para assumir o serviço enquanto prepara a licitação da nova concessão. O município ainda aguarda a resposta da Copasa e espera que a rescisão não vá parar na Justiça. “Não quero nenhum confronto com a Copasa. O que eu queria é o que todo cidadão quer: poder chegar do trabalho e ter água em casa para tomar banho, fazer a comida e arrumar os meninos para ir para a escola.”
A 98 News procurou a Copasa para comentar a decisão da Prefeitura de Mateus Leme e as declarações do prefeito Renilton Coelho. Até a publicação desta reportagem, a companhia não havia se manifestado. O texto será atualizado assim que houver retorno.
Na entrevista completa, o prefeito conta o que ouviu de moradores do bairro Planalto, relata as reuniões com a presidência e a nova diretoria da Copasa e fala sobre as multas aplicadas pelo município que, segundo ele, não foram pagas.
