A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11/2), a Operação Saque Retido, com o objetivo de apurar e reprimir a prática de crimes de corrupção eleitoral supostamente ocorridos durante as eleições municipais de 2024, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão.
De acordo com a PF, a investigação teve início às vésperas do pleito, quando uma mulher foi identificada realizando um saque em espécie no valor de R$ 61 mil em uma agência bancária. Segundo os investigadores, os recursos seriam utilizados em campanha eleitoral no município.
A mulher, que estaria vinculada a um candidato ao cargo de vereador, já havia efetuado outros saques em valores considerados elevados e, conforme apurado, pretendia realizar novas retiradas até a data da eleição.
Com base nos elementos reunidos durante a apuração preliminar, a Polícia Federal representou pela expedição de mandados de busca e apreensão para aprofundar as investigações e esclarecer a possível existência de um esquema ilícito de financiamento irregular de campanha e compra de votos nas eleições de 2024 em Betim.
Os seis mandados foram expedidos pelo 5º Juízo das Garantias. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, corrupção eleitoral e associação criminosa.
Em nota enviada à Rede 98, a Prefeitura de Betim disse que não possui qualquer relação com a operação. “Os fatos divulgados dizem respeito a um grupo político específico, já identificado no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes, não guardando qualquer vínculo institucional com a atual gestão municipal”, disse a administração municipal.
“A Prefeitura reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o fortalecimento das instituições democráticas, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, desde que sejam de fato relacionado ao âmbito da gestão municipal, o que, no caso em específico, nada tem a ver”, finalizou.
A reportagem também procurou a Câmara Municipal de Betim para solicitar um posicionamento e aguarda o retorno.
Operação em Vespasiano
Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Voto Livre, que investigou suspeitas de corrupção eleitoral nas eleições municipais de 2024 em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo a PF, a nova etapa foi iniciada após a análise de materiais apreendidos na primeira fase da investigação. A partir desses elementos, a Justiça Eleitoral autorizou novos mandados de busca e apreensão para aprofundar a apuração de um possível esquema de compra de votos durante o pleito.
Nessa fase da operação, foram cumpridos dois mandados em Vespasiano. As ordens judiciais foram expedidas pela 311ª Zona Eleitoral.
De acordo com a Polícia Federal, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção eleitoral e associação criminosa. As penas máximas previstas são de quatro anos de reclusão para corrupção eleitoral e de oito anos para associação criminosa.
