A Prefeitura de Belo Horizonte interditou nesta sexta-feira (21) o quinto ferro-velho irregular do ano durante uma fiscalização na Região Leste. O estabelecimento funcionava sem Alvará de Localização e Funcionamento e já havia sido multado pela mesma irregularidade. Nesta semana, foram vistoriados quatro estabelecimentos na Região Leste e outros três na Noroeste.
A fiscalização também verifica a origem de cabos, metais e outras peças comercializadas pelos estabelecimentos. A medida busca dificultar a venda de materiais furtados. Técnicos de empresas de telefonia acompanharam as ações e não identificaram materiais pertencentes às operadoras.
Ao todo, foram realizadas 173 vistorias em ferros-velhos neste ano, com 70 multas e cinco interdições. A Prefeitura informou que as ações continuarão. Atualmente, 433 empresas do setor estão cadastradas em Belo Horizonte.
Investigação policial no interior
Além das fiscalizações na capital, a Polícia Civil em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata, concluiu inquérito na quarta-feira (19) que investigava a atuação de uma organização criminosa suspeita de furtar e receptar fios de telefonia.
A análise financeira identificou movimentações superiores a R$ 150 milhões. Ao todo, 26 pessoas foram indiciadas.
Segundo a investigação, o grupo atuava em diferentes etapas do esquema, do furto e da receptação à reinserção dos fios no mercado formal.
Cadeia de receptação alimenta furto de cabos
O especialista em segurança pública Luiz Flávio Sapori explica que o cobre retirado dos cabos pode ser separado e comercializado posteriormente para a indústria.
“A revenda do cobre do fio de cobre é porque ele vai ser, de alguma maneira, manipulado e transformado num produto para ser revendido para a indústria de metais. O cobre tem utilidade na indústria metalúrgica. Então pode ser que muitas vezes esse ferro-velho vá acumular os fios furtados para, de alguma maneira, revendê-los para uma indústria, para um comércio legal, onde esse fio, esse cobre vai ser objeto de um processo químico específico que vai ser reutilizado na indústria metalúrgica.”
Para Sapori, interromper a cadeia de receptação é uma das estratégias para reduzir os furtos de cabos.
“Uma melhor maneira de reprimir o crime, a melhor maneira para diminuir a incidência desse crime, é exatamente desmontar essa cadeia de receptação. Por isso que as operações policiais que visam a fiscalização e eventual fechamento do comércio de ferros-velhos são muito importantes. Isso impacta diretamente a receptação. Diminuindo a receptação, você vai diminuir o cometimento do crime.”
