Toda quinta-feira, na cozinha de um bar do hipercentro de Belo Horizonte, a poucos metros da Praça Sete, um punhado de sementes de abacate é separado para não acabar no lixo. Em vez de virarem resto, elas seguem para as mãos da contadora Norma Diniz, que as transforma em mudas e, depois, em árvores frutíferas plantadas em calçadas, escolas e praças da capital e da região metropolitana. A rotina se repete há seis anos no Pop Kid e faz parte do projeto Minha rua é um pomar. O destaque ganha ainda mais sentido nesta quinta-feira (18/6), quando se celebra o Dia Mundial da Gastronomia Sustentável, data criada pela ONU para chamar atenção ao consumo consciente e ao combate ao desperdício de alimentos.
Brasil entre os países que mais desperdiçam alimentos
O gesto pequeno responde a um problema grande. O Brasil ocupa o 10º lugar entre os países que mais desperdiçam alimentos no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os anos, cerca de 46 milhões de toneladas de comida são descartadas no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — o equivalente a 30% de toda a produção nacional. No outro extremo, dados do governo federal mostram que 8,7 milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar e nutricional grave.
Das saladas do bar para as calçadas da cidade
O caminho é simples e se repete semana após semana. O Pop Kid doa todas as sementes de abacate usadas no preparo das saladas da casa para Norma Diniz, idealizadora do Minha rua é um pomar. Ela transforma as sementes em mudas e, quando estão prontas, leva o plantio para espaços de uso comunitário, como calçadas, escolas, praças e parques.
“Desde que teve início essa parceria, já plantamos e doamos mais de 3.500 mudas para escolas, UMEIs e praças públicas em Belo Horizonte, Vespasiano, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e cidades do interior de Minas”, conta Norma, fundadora do projeto.
Educação ambiental como parte do plantio
Para Leandro Câmara, proprietário do Pop Kid, o reaproveitamento das sementes é só uma parte do que a iniciativa entrega. Além de trazer mais frescor e oxigênio às cidades, o projeto tem um lado que vai além do ambiental.
“Vale destacar o âmbito educacional da iniciativa. Quando Norma e os voluntários vão às escolas, as crianças aprendem que a semente vai se transformar em uma árvore, ou seja, é uma prática de educação ambiental”, afirma o comerciante. A parceria nasceu de uma relação antiga: Norma era cliente do bar e, ao apresentar o projeto, ganhou um aliado. “Todas as quintas-feiras, separamos as sementes para serem repassadas ao ‘Minha rua é um pomar’. Uma iniciativa simples, mas que pode fazer um bem enorme ao meio ambiente”, resume.
