A morte do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, completa um ano nesta quinta-feira (26/3). Reeleito em 2024, ele não chegou a concluir o mandato que acabara de conquistar nas urnas, mas deixou registrado, em sua última entrevista à Rede 98, o projeto de cidade que pretendia implementar nos quatro anos seguintes.
Na conversa, concedida logo após a vitória no segundo turno, Fuad apresentou um plano de gestão centrado em obras estruturais, modernização administrativa e enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, temas que, segundo ele, seriam decisivos para o futuro da capital mineira.
A morte e o legado
Fuad Noman morreu em 26 de março de 2025, aos 77 anos. O prefeito estava internado desde o dia 3 de janeiro de 2025, no Hospital Mater Dei, após um quadro de insuficiência respiratória. Na noite anterior à morte, sofreu uma parada cardiorrespiratória e apresentou insuficiência renal aguda.
Ele estava licenciado do cargo desde 4 de janeiro para tratamento de saúde. Em julho de 2024, havia sido diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. Após tratamento, chegou a anunciar a remissão da doença dias depois de vencer as eleições. Com a morte, o vice Álvaro Damião assumiu definitivamente a prefeitura.
A cidade que Fuad queria construir
Na última entrevista à 98, Fuad deixou claro que seu novo mandato começaria com foco em segurança climática. Ele defendia a conclusão de obras contra enchentes e a proteção de encostas, mas demonstrava preocupação com eventos extremos ainda imprevisíveis.
“O que me preocupa é o evento climático que nós não conhecemos”, afirmou, ao anunciar a criação de uma estrutura dedicada ao estudo dos impactos das mudanças climáticas. A ideia era antecipar riscos e evitar tragédias como as registradas no Rio Grande do Sul e em outros países.
Anel Rodoviário como prioridade
Outro eixo central da gestão seria o Anel Rodoviário, apontado por Fuad como o trecho mais letal da cidade. Ele defendia a municipalização da via, mesmo sem repasse de recursos federais, para acelerar intervenções.
“Eu prefiro gastar R$ 1 bilhão e não ver ninguém morrer”, disse. O plano previa obras em pontos críticos, como as regiões da BR-040, Via Expressa, Amazonas e Antônio Carlos, com construção de viadutos e melhorias na segurança viária.
A municipalização do Anel Rodoviário foi conduzida pelo prefeito Álvaro Damião após a morte de Fuad e o “Novo Anel”, como ficou conhecido, agora é responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte.
Um novo bairro no Carlos Prates
Ainda segundo Fuad Noman, um dos projetos mais ambiciosos para o seu segundo mandato era a transformação do antigo Aeroporto Carlos Prates em um novo bairro.
A proposta incluía um parque maior que o Parque Municipal, com áreas de lazer e esporte; a construção de equipamentos públicos, como UPA, centro de saúde e escola; e cerca de 4.500 moradias populares.
O projeto também previa integração urbana, com passarelas, terminal de ônibus e novas vias de acesso. O investimento estimado era de cerca de R$ 1,3 bilhão, com participação da iniciativa privada.
Mobilidade e transporte: mudanças estruturais
Fuad reconhecia que o trânsito da cidade vivia um momento crítico, impactado por diversas obras simultâneas. Ainda assim, comparava a situação a uma reforma doméstica: incômoda no curto prazo, mas necessária para melhorias futuras.
A expectativa era reduzir significativamente o tempo de deslocamento na capital. No transporte coletivo, ele destacou medidas já adotadas, como a renovação da frota e o programa “Tolerância Zero” para fiscalização das empresas. Apesar da melhora, admitia que o sistema ainda estava longe do ideal.
A solução definitiva, segundo ele, viria com um novo contrato de concessão, previsto para substituir o modelo de 2008. O plano incluía consultoria internacional, participação popular e uma licitação mais moderna.
Menos burocracia e mais diálogo
Outro compromisso que Fuad Noman assumiu publicamente era o de avançar na digitalização dos serviços da prefeitura e melhorar a relação com o setor produtivo.
Fuad pretendia criar um fórum permanente com empresários para discutir entraves e estimular o desenvolvimento econômico, com foco nos três principais setores da cidade: serviços, comércio e eventos.
“Meu compromisso é facilitar a vida de quem quer produzir e gerar emprego”, afirmou.
Relação com a Câmara e defesa do diálogo
Na área política, o prefeito defendia uma relação equilibrada com a Câmara Municipal, sem subordinação, mas também sem confronto permanente. Para ele, a oposição era parte essencial da democracia e contribuía para aprimorar a gestão.
Uma promessa interrompida
Ao final da entrevista, Fuad Noman se mostrou confiante no futuro e no novo mandato que se iniciava. “A cidade pode esperar um prefeito dedicado”, disse, ao afirmar que usaria sua experiência de mais de cinco décadas no serviço público para melhorar a vida dos belo-horizontinos.
