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Brumadinho, 7 anos: a luta por justiça e o cerco jurídico contra a ‘cultura do lucro’

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De acordo com as investigações os alertas internos sobre a instabilidade da barragem foram sistematicamente ignorados pela alta gestão (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Sete anos após a lama da Vale silenciar 272 vozes, Brumadinho amanheceu este domingo (25/01) reafirmando que a memória é sua principal ferramenta de luta. O ato tradicional no letreiro da cidade e as homenagens na Arena MRV serviram de palco para um balanço crítico: os avanços reais na infraestrutura de saúde da região ainda aguardam o complemento indispensável da justiça criminal.

A omissão como prova: a visão do MP

O promotor de Justiça Leonardo Castro Maia, um dos principais articuladores do Ministério Público de Minas Gerais no caso, mantém a tese contundente de que a tragédia não foi um acidente, mas o resultado de escolhas conscientes.

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De acordo com as investigações lideradas pelo promotor, os alertas internos sobre a instabilidade da barragem foram sistematicamente ignorados pela alta gestão.

“Houve uma escolha clara pela continuidade da operação em detrimento da segurança. O que os autos revelam é uma omissão consciente: sabia-se do risco e aceitou-se o resultado em nome do desempenho financeiro”, destaca a linha de acusação reforçada por Castro Maia

O promotor tem reiterado que a reparação econômica, embora necessária para o estado, não substitui a responsabilidade penal dos 15 réus que aguardam as audiências de instrução na Justiça Federal.

O próximo Passo: fevereiro no tribunal

A data de hoje marca também o fechamento de um ciclo emocional com o fim das buscas das “joias” não encontradas, mas abre a fase mais aguardada no Judiciário. A partir do próximo mês, o Tribunal Federal em BH inicia a oitiva de testemunhas e réus.

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Para Leonardo Castro Maia e as associações de vítimas, o objetivo é um só: evitar que o modelo de gestão que priorizou dividendos sobre vidas se repita em outras estruturas mineiras. “A justiça plena só será alcançada quando a sentença criminal for lida”, conclui a liderança da AVABRUM.

O que diz a Vale

Em nova, a Vale diz atingiu 81% do acordo de reparação de Brumadinho até dezembro de 2025. Leia na íntegra:

A Vale informou que atingiu, até dezembro de 2025, a execução econômica de 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral firmado após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019. O acordo foi assinado em 2021 com o Governo de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Minas Gerais e as Defensorias Públicas.

De acordo com a empresa, os recursos executados foram destinados a ações de recuperação socioambiental, garantia de abastecimento hídrico e projetos de diversificação econômica nos municípios atingidos. O acordo define obrigações de fazer e de pagar, mas não inclui indenizações individuais.

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Em paralelo, a Vale informou avanços no Programa de Descaracterização de Estruturas a Montante. Em 2025, o programa alcançou 63% de execução, com a eliminação de 19 das 30 barragens previstas em Minas Gerais.

A mineradora também comunicou que, em agosto de 2024, deixou de ter barragens classificadas no nível máximo de emergência, após a redução do nível da barragem Forquilha 3, em Ouro Preto (MG).

Os pagamentos de indenizações cíveis, extrajudiciais e trabalhistas seguem sendo realizados fora do escopo do acordo. Até dezembro de 2025, mais de 17,5 mil pessoas receberam compensações, que somam R$ 4 bilhões, em valores atualizados. O montante inclui atingidos pelo rompimento em Brumadinho e pessoas evacuadas preventivamente em outros municípios de Minas Gerais, em ações conjuntas com as defesas civis.

Os valores das indenizações individuais não integram o Acordo de Reparação Integral e são tratados em instrumentos jurídicos distintos.

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