Nesta segunda-feira (12/1), completam-se 50 anos da morte de Agatha Christie, a escritora que transformou o crime em arte literária e fez do mistério um fenômeno global. Autora de 66 romances policiais, criadora de personagens icônicos como Hercule Poirot e Miss Marple, Christie construiu tramas tão engenhosas que atravessaram gerações. Curiosamente, porém, o enigma mais intrigante de sua vida não nasceu no papel, mas sim na vida real.
Na noite de 3 de dezembro de 1926, Agatha Christie deixou sua casa em Sunningdale, na Inglaterra, após uma discussão com o marido, Archibald Christie, então envolvido em um caso extraconjugal. Ela saiu dirigindo sem avisar ninguém. No dia seguinte, seu carro foi encontrado abandonado, com poucos pertences dentro: documentos, roupas e silêncio. A autora havia desaparecido.
O sumiço mobilizou a Inglaterra por 11 dias. A imprensa acompanhou cada passo da busca, enquanto a polícia enfrentava pressão pública e política. O caso ganhou proporções tão grandes que chegou a envolver Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e conhecido de Christie, que tentou ajudar não com métodos investigativos tradicionais, mas por meio de uma sessão espírita, detalhe que parece retirado de um de seus próprios romances.

Durante quase duas semanas, nenhuma pista concreta surgiu. Até que, em 14 de dezembro, Agatha Christie reapareceu viva e aparentemente tranquila no Hotel Swan Hydropathic, em Yorkshire. Ela estava hospedada sob um nome falso. Os dias entre a fuga de casa e o check-in no hotel jamais foram totalmente esclarecidos.
Ao longo dos anos, várias teorias surgiram: um colapso nervoso, um episódio de amnésia dissociativa, uma tentativa de escapar do escândalo conjugal, uma vingança silenciosa contra o marido ou até mesmo uma estratégia extrema de autopreservação diante da fama crescente.
A própria Agatha Christie jamais falou publicamente sobre o episódio. Como em suas histórias, ela deixou as pistas espalhadas, mas se recusou a revelar a solução. Quase um século depois, o desaparecimento segue sem conclusão definitiva: possivelmente o crime perfeito da maior dama do suspense.
Cinco livros essenciais de Agatha Christie
O Assassinato no Expresso do Oriente (1934)
Durante uma viagem de trem pela Europa, um passageiro é assassinado em um vagão isolado pela neve. Hercule Poirot investiga um crime cercado de suspeitos e chega a uma das soluções mais ousadas da literatura policial. Possivelmente a obra mais famosa de Agatha Christie.
E Não Sobrou Nenhum (1939)
Dez pessoas são convidadas para uma ilha remota e começam a morrer uma a uma, seguindo os versos de uma cantiga infantil. Sem investigador tradicional, o livro é um exercício cruel de tensão psicológica e engenharia narrativa.
O Assassinato de Roger Ackroyd (1926)
Considerado um divisor de águas do gênero, o romance apresenta um crime aparentemente simples, mas que desafia todas as expectativas do leitor e redefiniu as regras do romance policial.
Morte no Nilo (1937)
Durante um cruzeiro pelo rio Nilo, uma jovem herdeira é assassinada. Em meio a ciúmes, heranças e ressentimentos, Poirot precisa desvendar um crime tão elegante quanto traiçoeiro.
Um Corpo na Biblioteca (1942)
Miss Marple entra em cena quando o corpo de uma jovem desconhecida aparece na biblioteca de uma respeitável família. O caso mistura aparências enganosas, segredos sociais e observação afiada da natureza humana.
