O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu a condenação de Carlos Antônio Silva Fabel, ex-diretor financeiro do Atlético, por apropriação indébita de recursos do clube. A solicitação, apresentada nessa segunda-feira (26/1), refere-se a supostos crimes ocorridos entre 2013 e 2019.
O inquérito aponta que o ex-diretor teria desviado recursos do clube em proveito próprio através de empresas das quais era sócio. Fabel teria usado o cargo de diretor financeiro para autorizar pagamentos superiores aos valores previstos em contratos e aditivos. Conforme documentos do processo, as ações teriam causado prejuízo superior a R$ 4 milhões ao patrimônio do Atlético.
De acordo com o MPMG, a empresa Consultoria Pontual Ltda teria recebido R$ 6,2 milhões, embora o contrato previsse apenas R$ 3 milhões. Do total, cerca de R$ 3,1 milhões foram transferidos “sem qualquer fundamento legal ou contratual aparente”. O órgão menciona repasses até mesmo após o fim do vínculo contratual, em períodos sem qualquer lastro idôneo.
Esquema similar envolveria a Art Sports Assessoria Ltda, com pagamentos excedentes e sem justificativa de R$ 800 mil. O MPMG afirma que o réu autorizava repasses assinando notas fiscais destinadas às próprias empresas dele. Testemunhas ouvidas no inquérito também classificaram como “totalmente anormal” a prática de um gestor contratar e pagar empresas de sua propriedade.
Fabel alegou em juízo que os valores eram bônus ou pagamentos em atraso autorizados pelos presidentes do clube. No entanto, ex-presidentes negaram autorizações conscientes, afirmando que assinavam documentos confiando no departamento financeiro. Segundo o MPMG, o réu teria se aproveitado das limitações das auditorias internas para aplicação dos desvios.
Nas alegações finais, o promotor Mauro Ellovitch requeriu a condenação criminal, a suspensão de direitos políticos e a reparação dos danos causados ao Atlético. A indenização mínima solicitada em favor do clube é de cerca de R$ 4 milhões, corrigidos conforme a legislação vigente. O caso aguarda julgamento final pela 12ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.
A Rede 98 contatou Carlos Fabel, que não se pronunciou até a publicação da reportagem. Assim que houver retorno, o texto será atualizado.
